A coalizão militar Escudo das Américas, formada por 13 países e liderada pelos Estados Unidos, expressou apoio ao presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, em meio a intensos protestos que ocorrem no país. Em um comunicado divulgado na última sexta-feira (5), o grupo caracterizou as manifestações como uma tentativa de "derrubar o governo legitimamente eleito".
No documento, a coalizão declarou:
Apoiamos o governo democrático de Paz em sua luta contra as tentativas de retroceder a Bolívia por meio de manobras cínicas para impedir a entrega de alimentos, medicamentos e outros suprimentos vitais ao povo boliviano através de falsos bloqueios de estradas
. Além disso, a coalizão alegou que os protestos estariam sendo financiados por recursos oriundos do crime, afirmando que "aqueles que financiam esses protestos com dinheiro sujo do narcotráfico e do crime transnacional devem ser responsabilizados".
Os países que assinaram a nota incluem EUA, Argentina, Bolívia, Chile, Costa Rica, República Dominicana, Equador, El Salvador, Guiana, Honduras, Panamá, Paraguai e Trinidad e Tobago.
Desde o início de maio, diversas regiões da Bolívia têm sido palco de manifestações e bloqueios de estradas contra o governo de Rodrigo Paz, que assumiu a presidência em novembro de 2025 após uma vitória histórica nas eleições, encerrando um ciclo de 20 anos de governo de esquerda. O presidente, do Partido Democrata Cristão (PDC), obteve apoio de movimentos sociais durante sua campanha, com a colaboração de seu vice, Edmand Lara.
Entretanto, após assumir o cargo, Paz enfrentou críticas por não atender às demandas de setores que o apoiaram, especialmente em relação a políticas voltadas para o agronegócio e a indústria, além da isenção de impostos para grandes fortunas. Uma proposta de lei que permitiria a compra, venda e hipoteca de pequenas propriedades rurais gerou forte oposição, com manifestantes argumentando que isso poderia comprometer a proteção das terras indígenas e abrir espaço para a especulação imobiliária.
Em resposta à pressão popular, o presidente revogou a Lei 1720, mas isso não foi suficiente para conter os protestos, que continuam a exigir sua renúncia. Em meio a essa crise, o governo de Paz está avançando com um projeto de lei que pode facilitar a decretação de estado de exceção, possibilitando o uso das Forças Armadas para reprimir as manifestações. A proposta está atualmente em análise na Câmara dos Deputados.