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Especialista analisa impacto da classificação de PCC e CV como terroristas

A inclusão do PCC e do CV na lista de organizações terroristas dos EUA pode fortalecer essas facções, segundo o criminologista Nikos Passas, da Universidade Northeastern.

A recente inclusão do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Comando Vermelho (CV) na lista americana de organizações terroristas estrangeiras, que entrou em vigor em 5 de junho, levanta preocupações sobre suas possíveis consequências. De acordo com o criminologista Nikos Passas, professor da Universidade Northeastern, essa designação pode, na verdade, fortalecer as facções criminosas no Brasil e em outros lugares.

Passas, que tem experiência em estratégias contra o narcoterrorismo na América Latina, argumenta que a aplicação rigorosa de medidas contra organizações criminosas pode, paradoxalmente, incentivá-las a se tornarem mais organizadas e resilientes.

No passado, vimos que a aplicação rigorosa de medidas contra essas organizações às vezes serve de incentivo para que elas se tornem mais bem organizadas, mais sofisticadas e, consequentemente, mais poderosas e resilientes — afirmou em entrevista.

O especialista observa que, apesar das tentativas de combate ao PCC e ao CV, essas facções conseguiram expandir suas operações nas últimas décadas, demonstrando uma notável capacidade de adaptação. Ele alerta que, sem uma colaboração eficaz entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil, as medidas podem não surtir o efeito desejado.

Se não houver a cooperação internacional necessária para combater atos criminosos, um efeito indesejável e imprevisto pode ser que essas organizações se tornem mais poderosas e difíceis de detectar

, explica Passas. Ele destaca que as facções podem mudar suas estratégias financeiras e fragmentar suas operações para se manterem ativas.

A designação das facções como terroristas foi vista como uma derrota para o governo brasileiro, que argumentou que isso poderia comprometer a soberania nacional e contradizer a legislação local, que distingue entre atividades criminosas e terrorismo. A decisão do Departamento de Estado americano foi anunciada logo após uma visita do senador Flávio Bolsonaro a Washington.

Além disso, a inclusão na lista do Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (Ofac) implica sanções econômicas, bloqueando bens das facções nos EUA e penalizando qualquer apoio material a elas. Passas observa que essas sanções podem levar as organizações a se afastarem do sistema financeiro americano, buscando alternativas para operar.

O futuro da cooperação entre Brasil e Estados Unidos no combate a essas facções permanece incerto, e o especialista acredita que a falta de colaboração pode dificultar o monitoramento das atividades criminosas.

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