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Mebendazol, medicamento antiparasitário, pode ajudar no tratamento de câncer cerebral

Um estudo recente sugere que o mebendazol, usado contra vermes intestinais, pode retardar o crescimento de tumores cerebrais e aumentar a sobrevivência em testes com animais.
Foto: Imagem colorida de uma médica analisando raio-x de cérebro - Metrópoles

Pesquisadores da Bond University, em uma revisão sistemática publicada em maio no British Journal of Clinical Pharmacology, descobriram que o mebendazol, um antiparasitário utilizado no tratamento de vermes intestinais, apresenta potencial no combate ao câncer cerebral. Os testes realizados em laboratório com animais mostraram que o medicamento conseguiu retardar o crescimento tumoral.

Os resultados indicaram que, em ratos, o mebendazol duplicou as taxas de sobrevivência. Além disso, quando administrado em conjunto com sessões de radioterapia, mais da metade dos animais ficou livre de tumores por um período prolongado. Os pesquisadores destacam que os cânceres cerebrais primários, como glioblastoma e meningioma, têm baixas taxas de sobrevivência, mesmo com tratamentos convencionais.

O glioblastoma, a forma mais agressiva da doença, apresenta uma média de sobrevida de apenas 12 a 16 meses após o diagnóstico. Liam O'Callaghan, um dos autores do estudo, enfatiza a dificuldade de tratar o câncer cerebral, que é considerado um grande desafio na medicina.

O mebendazol, que é utilizado para tratar infecções intestinais, foi analisado em 22 estudos para verificar sua eficácia no combate a tumores cerebrais. Os resultados laboratoriais mostraram que o medicamento atua nas células tumorais de seis maneiras diferentes, interrompendo a divisão celular, bloqueando a formação de novos vasos sanguíneos e dificultando o reparo do DNA que confere resistência à radioterapia.

O'Callaghan ressalta que é interessante observar que o remédio parece agir nas células cancerígenas de várias formas, em vez de seguir apenas uma única via. Além disso, o mebendazol pode potencializar os efeitos da quimioterapia e da radioterapia.

Apesar das descobertas promissoras, os pesquisadores alertam que as evidências sobre a eficácia do mebendazol no tratamento do câncer ainda são modestas e inconclusivas. Embora os estudos em animais tenham mostrado resultados positivos, as pesquisas em humanos são limitadas.

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