Enquanto os holofotes do Brasil e do mundo estavam voltados para a abertura do Maior São João do Mundo, em Campina Grande, e a fogueira acesa no QG do Forró iluminava a maior festa popular do planeta, outro fogo ardia longe das quadrilhas e do xote: o do posicionamento político da senadora DaniELLA Ribeiro, que escolheu exatamente esse momento para aparecer nas redes sociais aplaudindo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e se mostrar abertamente contrária à instalação da CPMI do Banco Master, concordando, sem cerimônia, com uma justificativa que, para dizer o mínimo, não se sustenta.
Preciso dizer que se trata de um posicionamento um tanto quanto eivado de excrescência sobre a CPMI do Banco Master. E que ELLA, sim, ELLA, a senadora DaniELLA Ribeiro, mãe do atual governador da Paraíba, Lucas Ribeiro, voltou a dar o que falar. Não por um ato de coragem ou de representatividade, mas por aquilo que, infelizmente, já virou marca registrada: fazer vergonha aos paraibanos que um dia depositaram seus votos nela.
Na última terça-feira, 3, enquanto os olhos se voltavam para o Maior São João do Mundo, uma publicação da página do UOL no Instagram me chamou a atenção e mais ainda o comentário dELLA concordando com a fala do presidente do Senado. Concordando com um discurso politiqueiro e cheio de justificativas absurdas e, no mínimo, reprováveis diante do escândalo que envolve o caso Banco Master. E é sobre isso que vamos falar.
No vídeo do senador e presidente do Senado, Davi Alcolumbre, usa uma narrativa e desculpas esfarrapadas tentando justificar os motivos pelos quais se recusa a colocar em pauta a CPMI do Banco Master. E para a pouca vergonha não ficar apenas para ele, sua amiguinha DaniELLA Ribeiro aparece aplaudindo e concordando entusiasticamente com cada palavra do seu parceiro de confortável convivência política.
Entre os aspectos mais emblemáticos dessa polêmica, talvez nenhum tenha chamado mais atenção do que exatamente essa manifestação pública dELLA em defesa do discurso de Alcolumbre. O presidente do Senado classificou a tentativa de instalação da CPMI como um suposto movimento destinado à criação de “palanque eleitoral”. Mais do que isso, reclamou das críticas recebidas por não colocar o requerimento em pauta, afirmando ter sido alvo de ataques por parlamentares que defendem a investigação.
Ora, com esse pretexto de “palanque eleitoral”, Alcolumbre oferece uma desculpa que não cola, não para quem tem o direito de saber sobre tudo o que supostamente estaria envolto nesse escândalo. O povo brasileiro tem o direito de conhecer todos os supostos envolvidos nesse escárnio. E ELLA, ao comentar a publicação com uma frase curta, mas reveladora, “Só disse verdades!!!”, se posiciona politicamente de forma inequívoca: é contra a instalação da CPMI do Banco Master e, consequentemente, contra o POVO BRASILEIRO!
A pergunta que não quer calar é: por que será? Por que ELLA, que deveria fiscalizar as instituições e honrar cada voto recebido do povo paraibano que a levou ao Senado, prefere concordar com quem, segundo a opinião de muitos brasileiros, age como algoz da transparência pública? Seria mesmo por causa de um suposto “palanque eleitoral”, como repete o seu ilustre amigo? Ou seria porque uma investigação aprofundada poderia, alcançar aliados, ou quem sabe alguém bem mais próximo dELLA?
Digo supostamente porque é preciso ser honesta: até o momento, o único nome que aparece de forma inconteste à frente de toda a operação é o de Daniel Vorcaro, apresentado como o responsável por um dos maiores desfalques já registrados no sistema financeiro brasileiro envolvendo dinheiro público: o bode expiatório oficial do escândalo. A estrutura mais profunda desse esgoto, com seus tentáculos espalhados por direita, esquerda, centro e, segundo informações amplamente divulgadas pela mídia nacional, até pelos corredores da mais alta Corte do país, ainda clama por uma investigação séria e isenta. Investigação essa que ELLA, com seu comentariozinho de três palavras, ajuda a sepultar antes mesmo de nascer.
A manifestação pode parecer apenas um comentário em rede social. Mas, na prática, representa um alinhamento político claro e calculado com a posição do presidente do Senado, e é justamente esse alinhamento que merece cobrança por parte de todo o povo paraibano que a elegeu. Povo esse que ELLA, ao que tudo indica, parece ter convenientemente esquecido a quem deve satisfação. E a resposta é simples: não é ao seu amiguinho e parceiro Davi Alcolumbre. Porque ele, que fique registrado, não deu um único voto para ELLA estar onde está.
Afinal, o que parte da população e diversos parlamentares defendem não é um ato de palanque eleitoral. O que se pede é uma investigação parlamentar sobre um caso que ganhou repercussão nacional, internacional e que gerou questionamentos profundos sobre o sistema financeiro, levantou dúvidas que, goste-se ou não, continuam sem respostas suficientemente claras para a sociedade.
Ao desqualificar previamente qualquer investigação como mero instrumento eleitoral, abre-se um precedente perigoso. Se toda CPI passar a ser tratada como palanque eleitoral, então qual seria o instrumento adequado para que o Congresso exerça sua função fiscalizadora? Existe algum? Ou a fiscalização passou a ser permitida apenas quando não incomoda a alguns ou não atinge a aliados e familiares de quem supostamente possa estar envolvido nesse esgoto?!
Mais grave ainda é a tentativa de inverter os papéis. Em vez de discutir os motivos que levam tantos parlamentares a defender a CPMI, o foco passa a ser a suposta perseguição sofrida por quem impede sua tramitação. O debate deixa de ser sobre transparência e prestação de contas e passa a girar em torno do desconforto de quem ocupa posições de poder e, aparentemente, tem razões para temer o que uma investigação poderia revelar.
Ninguém é obrigado a defender a instalação de uma CPMI. O debate democrático pressupõe divergências legítimas. Mas o problema está quando a investigação é descartada antes mesmo de começar, e quando a cobrança por esclarecimentos é reduzida a uma mera estratégia de “palanque eleitoral” por quem, curiosamente, parece ter muito interesse em manter as perguntas sem resposta.
O comentário dELLA não é apenas uma manifestação em rede social. É um posicionamento político. É uma escolha. E, como toda escolha política feita por quem ocupa mandato público, está sujeita ao julgamento da opinião pública, inclusive do povo paraibano, que merece representantes comprometidos com a verdade, com a transparência e com os seus interesses, e não com os de uma rede de relações políticas cujos limites o povo anda cansado de assistir e se enojar.
Porque, no final das contas, não é a defesa de uma investigação que enfraquece a democracia. O que enfraquece a democracia é a tentativa sistemática de convencer a sociedade de que investigar deixou de ser necessário.
E ELLA sabe disso. Só que escolheu o outro lado.
Por Simone Duarte
Fonte: Simoneduarte