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Líbano critica Irã por usar o país em negociações com os EUA

O primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, denunciou o Irã por tratar o Líbano como moeda de troca em negociações com os EUA, enquanto ataques israelenses continuam no país.
Foto: G1

O primeiro-ministro do Líbano, Nawaf Salam, fez uma grave acusação ao Irã nesta sexta-feira (5), afirmando que o país está utilizando o Líbano como uma "moeda de troca" em suas negociações com os Estados Unidos. A declaração foi feita durante uma coletiva de imprensa, onde Salam comentou sobre o apelo da ONU por ajuda humanitária ao Líbano.

Se me permitem dirigir algumas palavras ao Irã, é o seguinte: tenham misericórdia do nosso sul, parem de tratá-lo e ao seu povo como mera moeda de troca para melhorar os termos das suas negociações — disse o premiê.

A situação no Líbano se agravou com a retomada dos ataques aéreos israelenses, que começaram em março, após o Hezbollah lançar mísseis contra Israel em resposta ao início da guerra no Irã, país aliado do grupo extremista.

Na noite de quinta-feira (4), Israel realizou bombardeios em Tiro, no sul do Líbano, resultando na morte de sete pessoas, segundo informações da Defesa Civil libanesa. Um dos ataques atingiu a área próxima ao Hospital Jabal Amel, causando quatro mortes e sete feridos, além de danos a uma agência bancária e ao hospital.

Outro ataque na mesma noite deixou três mortos e cinco feridos, incluindo duas crianças, em um bairro residencial.

O Exército israelense confirmou os ataques, afirmando que visou o Hezbollah em três locais ao norte do rio Litani, a cerca de 40 quilômetros da fronteira, e ordenou a evacuação da população local.

Apesar do anúncio de um cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos na quarta-feira (3), os confrontos continuaram. O chefe do Hezbollah, Naim Qassem, rejeitou o acordo, afirmando que enquanto o Líbano continuar sob ataque, a segurança em Israel não será garantida.

As negociações com Israel são vergonhosas. Só nos importamos com um cessar-fogo completo e a retirada de Israel do sul. Enquanto Israel estiver no Líbano, a resistência continuará — declarou.

Nabih Berri, presidente do Parlamento libanês e aliado do Hezbollah, também se manifestou, afirmando que aceitaria a retirada do grupo do sul do Líbano, desde que as tropas israelenses se retirassem simultaneamente.

Berri criticou o acordo de cessar-fogo, considerando-o injusto e afirmando que deveria incluir um

cessar-fogo incondicional por terra, mar e ar

.

Desde o início do conflito em 2 de março, os ataques israelenses no Líbano resultaram na morte de 3.526 pessoas e no deslocamento de mais de um milhão de moradores, conforme dados das autoridades locais. Do lado israelense, 27 soldados e um prestador de serviços civil também perderam a vida.

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