Um crime brutal em Corigliano-Rossano, na Calábria, chocou a Itália ao resultar na morte de quatro trabalhadores agrícolas imigrantes, sendo três afegãos e um paquistanês, queimados vivos dentro de um veículo na segunda-feira (1º).
As autoridades prenderam dois suspeitos paquistaneses, conhecidos como "caporali
, intermediários que exploram a mão de obra precária no país. O incidente reacendeu o debate sobre o sistema de
caporalato", que é frequentemente associado à exploração de imigrantes.
De acordo com as investigações, os agressores bloquearam as portas do carro, despejaram gasolina no interior e atearam fogo. Um sobrevivente, um jovem afegão, conseguiu escapar pulando pela janela do veículo e relatou que a violência foi motivada por uma cobrança de dinheiro pelos custos de transporte até as fazendas, que as vítimas não podiam pagar devido aos baixos salários.
O "caporalato" é considerado uma forma de escravidão moderna, onde intermediários recrutam trabalhadores para grandes propriedades agrícolas, muitas vezes com o apoio de organizações mafiosas. Relatórios do sindicato CGIL indicam que cerca de 70% dos operários agrícolas estão em condições de trabalho sem contrato formal.
Apesar de uma lei rigorosa aprovada em 2025, que prevê penas de até seis anos de prisão para quem explora trabalhadores, a aplicação da norma enfrenta desafios logísticos. A Itália necessita de pelo menos 6 mil inspetores do trabalho para garantir a fiscalização adequada.
A exploração de trabalhadores não se limita apenas ao setor agrícola no sul da Itália, mas também se estende a áreas como logística, indústria têxtil e construção civil, incluindo regiões mais ricas do norte e centro do país. Um caso recente em Milão resultou na prisão de um dirigente de uma empresa de construção que empregava clandestinamente centenas de trabalhadores indianos, submetendo-os a jornadas de 12 horas e pagando apenas dois euros por hora.