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Trump direciona atenção ao Brasil e Cuba após fracasso no Irã

Após o insucesso nas operações no Irã, Donald Trump volta seu foco para o Brasil e Cuba, em linha com a nova Estratégia de Segurança Nacional dos EUA, que prioriza a América Latina.
Foto: Donald Trump

Com o fracasso na guerra contra o Irã, que não atingiu seus objetivos, Donald Trump voltou sua atenção para o Brasil e Cuba. Essa mudança de foco está alinhada com a Estratégia de Segurança Nacional dos Estados Unidos, divulgada em dezembro de 2025, que coloca a América Latina como prioridade para os interesses norte-americanos.

A nova estratégia resgata a Doutrina Monroe, princípio da política externa dos EUA criado em 1823, que visava impedir a interferência de potências europeias na região. Atualizada em 1904 pelo presidente Theodore Roosevelt, a doutrina passou a prever a intervenção direta dos EUA em países latino-americanos. O governo Trump reeditou essa doutrina, buscando afastar a influência de potências como Rússia e China na América Latina.

Atualmente, Brasil e Cuba estão próximos a esses dois países. O Brasil, por exemplo, é parceiro da Rússia e da China por meio do Brics. O professor Elton Gomes, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal do Piauí (UFPI), explica que

o principal interesse dos Estados Unidos é reforçar a sua condição de hegemônico nessa área do mundo

.

Durante uma audiência no Senado dos EUA, o secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o Brasil, assim como Nicarágua, Cuba, Venezuela e Colômbia, não faz parte da lista de aliados da América Latina. Essa declaração ocorreu após o Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR) anunciar a conclusão de uma investigação sobre o Brasil, propondo a taxação de produtos brasileiros em 25%.

O USTR alegou que o Brasil adota práticas desleais em relação aos EUA, citando o sistema de pagamentos Pix e decisões judiciais que afetam grandes empresas de tecnologia. A tarifa ainda precisa passar por consultas públicas e receber a aprovação de Trump.

Além disso, os EUA também tomaram medidas contra as facções brasileiras Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que foram incluídas em listas de organizações terroristas. Essa ação visa impactar economicamente os grupos e indivíduos associados a eles, embora analistas alertem que isso pode abrir espaço para interferências na soberania nacional.

Essas ações foram divulgadas após a visita do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos EUA, onde se reuniu com Trump e outras autoridades. Ele negou ter articulado novas sanções comerciais contra o Brasil, embora tenha pedido a classificação do PCC e CV como organizações terroristas.

Por outro lado, Trump decidiu ampliar os canais de diálogo com Brasília, indicando Daniel Perez, atual presidente da Câmara dos Representantes da Flórida, para o cargo de embaixador no Brasil, após mais de um ano sem um representante.

Cuba também voltou a ser foco da atenção de Trump, que mencionou ações contra a ilha após o fim da guerra no Irã. Os EUA intensificaram as sanções econômicas e indiciaram Raúl Castro por crimes relacionados a um incidente de 1996, quando aeronaves norte-americanas foram abatidas por forças cubanas.

Essas ações refletem uma estratégia semelhante àquela adotada contra a Venezuela, que culminou na prisão de Nicolás Maduro. O Comando Sul dos EUA mobilizou forças na região do Caribe, destacando navios de guerra, em resposta a essas situações.

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