O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Tedros Adhanom Ghebreyesus, anunciou que cinco pacientes se recuperaram do tipo raro de ebola Bundibugyo no Congo. Durante a inauguração de um novo centro de tratamento em Bunia, capital da província de Ituri, Tedros informou que quatro pessoas receberão alta hoje e uma já recebeu alta anteontem.
Ele destacou que, apesar de ainda estarem em desenvolvimento vacinas e tratamentos, é possível a recuperação de pacientes infectados pelo vírus. A OMS também confirmou, na sexta-feira, 29, a primeira recuperação documentada de um paciente com Bundibugyo durante o atual surto.
Os dados mais recentes da OMS indicam 906 casos suspeitos e 223 mortes suspeitas relacionadas ao surto. O país vizinho, Uganda, registrou nove casos e uma morte, conforme informações do Ministério da Saúde ugandense.
A organização Médicos Sem Fronteiras (MSF) alertou que, apesar da melhora nas instalações de saúde e da chegada de novos profissionais, o vírus continua a se espalhar rapidamente, superando a capacidade de resposta. A MSF pediu a expansão imediata dos testes e o envio mais rápido de ajuda humanitária.
Além disso, a resistência da população local aos rigorosos protocolos médicos para o tratamento de corpos de vítimas tem dificultado a resposta ao surto, resultando em pelo menos três ataques a centros de saúde.
Tedros enfatizou a importância do envolvimento da comunidade na luta contra o ebola, afirmando que buscar atendimento médico ao apresentar sintomas é crucial para a recuperação. Ele ressaltou que todos têm um papel na contenção do vírus.
A situação na região é ainda mais complicada pela violência de grupos armados, como as Forças Democráticas Aliadas (ADF), que têm realizado ataques na área. No último sábado, sete pessoas foram mortas em Beni, na província de Kivu do Norte.
Pierre Akilimali, Gerente de Incidentes do Instituto Nacional de Saúde Pública do Congo, expressou esperança durante a inauguração do centro de tratamento, afirmando que o tratamento sintomático está mostrando resultados positivos. Davin Ambitapio, outro médico do centro, também se mostrou otimista, destacando que o vírus atual é menos complexo do que os enfrentados em surtos anteriores.