Os confrontos entre Israel e o Hezbollah, grupo apoiado pelo Irã, seguem em escalada, mesmo com a trégua anunciada em 17 de abril, que não foi respeitada. Neste sábado (30), o exército israelense emitiu um alerta para os moradores de mais de dez vilarejos libaneses, recomendando que deixassem suas casas antes dos bombardeios.
Os ataques aéreos israelenses atingiram diversas localidades no sul do Líbano, conforme reportado pela Agência Nacional de Informação libanesa (Ani). O exército libanês informou que um ataque de drone israelense feriu gravemente dois soldados em um veículo próximo à cidade de Nabatieh.
Além disso, disparos de artilharia foram registrados nas proximidades da fortaleza medieval de Beaufort. O ministro da Cultura do Líbano expressou preocupação com os ataques, ressaltando o "grave perigo" que representam para o patrimônio histórico do país.
O Hezbollah, por sua vez, reivindicou o lançamento de foguetes em direção ao norte de Israel. O exército israelense afirmou ter interceptado a maioria dos projéteis, exceto um que caiu em seu território, sem causar feridos.
Em resposta aos ataques, o presidente Joseph Aoun e o primeiro-ministro Nawaf Salam do Líbano condenaram as ações israelenses, destacando a "ampliação" dos ataques, especialmente nas regiões de Tiro e Nabatieh, além da destruição de casas e sítios históricos.
Israel declarou recentemente grande parte do sul do Líbano como uma "zona de combate". O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu confirmou que tropas israelenses cruzaram o rio Litani, a cerca de 30 quilômetros da fronteira.
As operações militares contra o Hezbollah foram intensificadas, com o objetivo de desarmar o grupo, que se opõe a qualquer negociação com Israel. Delegações militares de ambos os países se reuniram na sexta-feira (29) em Washington para preparar uma nova rodada de negociações, prevista para os dias 2 e 3 de junho.
Essas discussões ocorrem em um contexto de negociações complexas entre os Estados Unidos e o Irã, que exige a inclusão do fim das hostilidades no Líbano em qualquer acordo que vise encerrar a guerra no Oriente Médio.
Desde o início do conflito em março, os ataques israelenses no Líbano resultaram em 3.355 mortes e mais de um milhão de deslocados, segundo autoridades locais. Apenas na última semana, 15 crianças foram mortas e 62 feridas, conforme dados da Unicef.
A reunião militar de sexta-feira foi considerada "construtiva
pelo Pentágono e servirá como base para discussões políticas futuras. O presidente libanês enfatizou ao secretário de Estado americano que uma trégua é
passagem obrigatória" para qualquer avanço nas negociações.