O veredito do julgamento de um monitor acusado de abusos sexuais contra crianças em pré-escolas de Paris está agendado para o dia 7 de julho. O réu, David G., de 36 anos, enfrenta acusações de agressões sexuais contra nove crianças da escola Alphonse Baudinem, localizada no 11º distrito da cidade.
Na última terça-feira (26 de maio), o Ministério Público de Paris solicitou uma pena de três anos de prisão, sendo um ano com uso de tornozeleira eletrônica. David G. está em prisão preventiva há quase um ano e é acusado de ter cometido os crimes durante atividades extracurriculares entre setembro de 2024 e abril de 2025, período em que foi suspenso pela prefeitura.
O réu nega qualquer ato de natureza sexual, afirmando que seria necessário ser "psicopata
para agir dessa forma. Ele admite, no entanto, que pode ter cometido
inadequações", como permitir que crianças sentassem em seu colo ou usassem apelidos carinhosos.
As audiências, que normalmente são sigilosas, atraíram a atenção da mídia e do público, com a presença de cerca de 20 pais de alunos. A acusação se baseia principalmente em depoimentos de crianças de 3 a 5 anos, que relataram toques em partes íntimas. Uma das crianças mencionou que o acusado a tocava com uma colher.
Após os depoimentos, alguns pais começaram a relatar mudanças no comportamento de seus filhos. A promotoria argumenta que
crimes sexuais contra menores destroem a relação de confiança
e pediu a condenação de David G. A advogada que representa a maioria das famílias envolvidas no caso afirmou que "uma criança dessa idade não inventa uma cena de abuso sexual".
O ministro da Justiça, Gérald Darmanin, pediu um "despertar coletivo
para que as vozes das crianças sejam ouvidas. Desde o início de 2026, 78 funcionários da prefeitura de Paris foram suspensos, sendo 31 por suspeitas de violência sexual, o que, segundo o prefeito Emmanuel Grégoire, indica um problema de caráter
sistêmico".
Além disso, o Ministério Público investiga possíveis casos de abusos em 84 escolas de educação infantil e outras instituições. Um caso recente envolve um brasileiro de 51 anos, que está em prisão preventiva sob suspeita de abusos sexuais em escolas de Paris.