O jejum intermitente tem se tornado uma estratégia popular para emagrecimento, mas uma nova análise indica que essa prática não é mais eficaz do que dietas tradicionais. A pesquisa, que revisou 22 ensaios clínicos com quase 2 mil adultos com sobrepeso ou obesidade, foi publicada na Cochrane Library.
O jejum intermitente envolve alternar períodos de alimentação com intervalos de pouca ou nenhuma ingestão calórica. O estudo avaliou diferentes modelos, incluindo janelas de tempo restritas ao longo do dia e a dieta 5:2, que combina alimentação habitual com restrição calórica em dias específicos.
Embora o jejum possa aumentar a mobilização de gordura e gerar adaptações metabólicas, os resultados mostram que a perda de peso é semelhante à das dietas convencionais. A diferença média foi de cerca de 300 gramas em relação aos grupos controle, considerada estatisticamente não significativa.
O endocrinologista Rafael Scarin, do Einstein Hospital Israelita, destaca que, apesar dos potenciais benefícios metabólicos do jejum intermitente, como melhora da sensibilidade à insulina e maior oxidação de gordura, essas alterações não se traduzem em vantagens clínicas significativas.
A escolha de uma estratégia alimentar deve considerar a capacidade de mantê-la a longo prazo. O sucesso do jejum intermitente depende da adaptação individual, e não foram identificados subgrupos que se beneficiem mais dessa abordagem.
Embora não tenham sido encontrados riscos consistentes em comparação com dietas tradicionais, alguns efeitos adversos podem ocorrer, como fadiga e hipoglicemia, especialmente se o método não for bem acompanhado. Cautela é recomendada para pessoas com histórico de transtornos alimentares ou que utilizam medicamentos que afetam a glicose.