Entre 13 e 15 de maio, o Rio de Janeiro foi palco do 2º Summit Integração de Cuidados de Saúde nos Países de Língua Portuguesa, que reúne nove nações: Angola, Brasil, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Guiné Equatorial, Moçambique, Portugal, São Tomé e Príncipe e Timor-Leste. Durante o evento, foram apresentados dados preocupantes sobre a desigualdade na saúde entre esses países.
A expectativa de vida varia drasticamente, com Portugal apresentando 82,5 anos, enquanto Moçambique tem apenas 62 anos. A mortalidade materna na Guiné-Bissau é 34 vezes maior do que em Portugal, e as despesas em saúde per capita diferem em até cem vezes entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).
Ann Lindstrand, pediatra e representante da Organização Mundial da Saúde (OMS) em Cabo Verde, destacou que a disparidade na expectativa de vida global pode chegar a 33 anos. Além disso, em países mais pobres, a mortalidade infantil é 13 vezes maior. No Brasil, a expectativa de vida também varia significativamente entre diferentes grupos raciais e regionais.
Os determinantes sociais de saúde, que incluem fatores como educação, moradia e acesso a serviços de saúde, desempenham um papel crucial nesse cenário. Populações com menor renda enfrentam maior taxa de mortalidade e dependem mais de atendimentos hospitalares. Condições habitacionais precárias estão ligadas a doenças respiratórias e problemas de saúde mental, enquanto o desemprego e a precarização do trabalho aumentam a demanda por cuidados de emergência.
Lindstrand enfatizou que os sistemas de saúde muitas vezes falham em abordar as causas subjacentes das doenças. A OMS questiona por que o setor de saúde apenas trata as pessoas sem resolver as condições que as levaram a adoecer. Para enfrentar essas desigualdades, é fundamental que países com laços culturais compartilhem informações e implementem políticas públicas eficazes.
Fatores de risco modificáveis, como alimentação inadequada, sedentarismo, tabagismo e poluição, também contribuem para a mortalidade. A poluição atmosférica, por exemplo, está diretamente ligada a doenças respiratórias e cardiovasculares, enquanto as alterações climáticas agravam esses problemas. Estima-se que 24% das mortes globais estejam relacionadas a questões ambientais, com um custo anual de 820 bilhões de dólares devido à poluição.