O projeto “Café & Prosa”, que visa ações de realizar oficinas de mulheres durante as exposições do Circuito Paraíba Agronegócios 2026, teve a sua primeira ação nessa sexta-feira (22), durante a realização da 56ª Exposição Paraibana de Animais e Produtos Industrializados (Expapi), que ocorre no Parque de Exposições Carlos Pessoa Filho, em Campina Grande. Cerca de 50 mulheres de municípios como Campina Grande, Gurinhém e Caturité, por exemplo, participaram da atividade. A proposta integra o Projeto “Encontro de Mulheres do Agro” desenvolvido pelo Governo da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca (Sedap-PB).
A ideia é promover, durante as exposições as oficinas, mescladas de momentos de diálogo e prática, que abordem diversos fazeres que possam incentivar mulheres a encontrar e desenvolver uma atividade que gere cidadania, dignidade e renda. A primeira oficina do projeto “Café & Prosa” foi a de “Biojóias e Economia Solidária”, que foi apresentada pela artesã e empreendedora Fabiana Lima.
O secretário da Sedap-PB, Júnior Nóbrega, ressaltou a importância da iniciativa.
É de fundamental importância abrir espaços em que as mulheres sejam protagonistas e o ambiente das exposições precisa ser, cada vez mais, democrático. Para nós da Sedap-PB, contribuir com as capacitações das mulheres realizando oficinas e debatendo temas de interesse da sociedade é motivo de alegria
, enfatizou.
A programação do projeto “Café & Prosa” durante a Expapi 2026 começou com a realização de uma dinâmica inclusiva. As mulheres formaram um círculo, cada uma se apresentou, falou do seu objetivo em participar da oficina e depois todas dançaram um coco de roda.
A assessora de Gestão Social da Sedap-PB, Márcia Dornelles, em seguida, fez uma contextualização do que é e quais os objetivos do projeto “Encontro de Mulheres do Agro”.
O projeto inicia uma nova etapa com oficinas focadas na ancestralidade, diversidade e economia solidária, este novo momento é focado no acolhimento das diversidades, saberes e vulnerabilidades das mulheres do campo e das águas. As ações ocorrerão de forma descentralizada nos municípios que sediarão as firas de exposições agropecuárias, por meio de oficinas construídas de maneira conjunta e participativa.
Márcia Dornelles explicou que
para garantir a eficiência das ações, o projeto dialoga diretamente com a gestão de cada município parceiro e com instituições da sociedade civil organizada. Como a comunidade e a administração local detêm o diagnóstico das demandas reais da região, a escolha dos temas de cada oficina será realizada de acordo com cada realidade
. Ela apontou que “o pilar estratégico do ciclo é a valorização do conhecimento regional e o resgate da ancestralidade e da cultura local. Por isso, as atividades serão ministradas por profissionais e instrutoras do próprio município. A escolha por essas ‘oficineiras da terra’ visa valorizar o saber tradicional e gerar identificação imediata entre as participantes”.A assessora de Gestão Social da Sedap-PB complementou: “Alinhado aos princípios da economia solidária, o projeto estimula a cooperação, a sustentabilidade e a valorização do trabalho feminino comunitário. Mais do que capacitação técnica, o ciclo de oficinas busca ser um espaço de emancipação, geração de renda justa e fortalecimento de vínculos para as mulheres e em especial as que se encontram em situação de vulnerabilidade”. Ela finalizou: “Com essa abordagem, o ‘Mulheres do Agro’ une o desenvolvimento econômico do setor à inclusão social, ao respeito às raízes culturais e ao protagonismo feminino na comunidade”.
Desafios, persistência e conquistas – A artesã Fabiana Lima, que ministrou a oficina, contou sua trajetória de vida e empreendedora. Ela relatou que a mãe a incentivava a buscar formas de ganhar o seu próprio dinheiro e que o artesanato com as jóias apareceu na sua vida há 20 anos, quando ela trabalhava numa empresa. Ela contou que uma jovem vendedora passava no seu local de trabalho vendendo brincos, pulseiras, colares e outras peças e que ela se tornou sua cliente. As peças fizeram sucesso e suas amigas pediam para que fizesse pedidos para sua fornecedora, que não conseguia atendê-los. A sugestão da vendedora foi que Fabiana se tornasse uma revendedora sua.
Fabiana Lima revelou que começou a revender as peças para complementar a renda. Porém, o negócio começou a dar certo e como o trabalho com carteira assinada não a agradava porque o seu chefe praticava assédio moral, ela decidiu pedir demissão.
Eu saí do emprego e peguei parte do dinheiro, cerca de R$ 500 na época, e investi em material, mesmo sem saber fazer as peças
, revelou.
A empreendedora disse que muitos conhecidos, inclusive o seu companheiro à época, afirmavam que era uma loucura, mas ela persistiu. Começou a trabalhar, testar, tentar reproduzir as peças que já comercializava.
Eu nunca me permiti parar. Foi assim que surgiu a Fabi Jóias que tem como símbolo a borboleta, que é o símbolo da transformação, pois a gente sempre está em transformação
, analisou.
Mãos à obra: teoria e prática – A artesã Fabiana Lima passou a apresentar durante a oficina vários temas de como as mulheres devem fazer para garantir o êxito de ter sucesso na produção de jóais. Ela explicou o passo a passo, desde a aquisição da matéria-prima, que no seu caso, é adquirido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. Ela orientou sobre os cuidados com o manuseio dos alicates, o acabamento, a atenção na precificação dos artigos.
É necessário estar atento com a qualidade do produto. A qualidade é a diferença. Valorizem seus produtos — pontuou.
Enquanto fazia os comentários, Fabiana Lima demonstrava para as participantes do projeto “Café & Prosa” o processo prático de feitura das jóias. Ela mostrou como fazer os cortes e ligações das partes das matérias-primas, os cuidados com o manuseio dos equipamentos. As mulheres participantes da oficina puderam praticar um pouco atráves da matéria-prima e dos alicates disponibilizados por Fabiana Lima.
Para as mulheres que participaram da oficina ficou o sentimento de crescimento como cidadãs e empreendedoras. Uma delas foi o caso da artesã e agricultora Carla Fernanda de Oliveira do município de Gurinhém.
A experiência aqui é riquíssima em conhecimento, novas aprendizagens. Abre novas portas para a gente desbravar o mundo. Aqui tem renovação, conhecimento, é você desbravar — avaliou. Ela faz artesanato desde pequena, porém, profissionalmente, há sete anos.
Já a diretora de Políticas Públicas para Mulheres do Município de Umbuzeiro, Guadalupe Dias, considerou que a oficina do “Café & Prosa”
traz para a gente especificamente uma forma de levar até o nosso município, não somente o empoderamento, mas, também, uma maneira de levar às mulheres, um motivo para sair de um caso em que é vítima de violência ou da dependência do marido
.
Opinião semelhante tem Edileusa Alves, conhecida como “Edi”. Ex-moradora de rua, ela compartilhou durante o evento um pouco da sua história de lutas até conseguir iniciar um pequeno negócio de produção e comércio de pastéis.
Para mim a oficina foi maravilhosa. É um aprendizado que você pode aplicar em várias situações e na produção dos mais diferentes produtos
, relatou.
A analista bancária do Banco do Nordeste, Samara Monteiro, falou durante o evento um pouco sobre crédito. Contudo, ela, também, fez questão de ressaltar a importância da oficina do projeto “Café & Prosa” do “Encontro de Mulheres do Agro”:
Participar da oficina foi muito importante para mim. É uma experiência extremamente enriquecedora
.
A 56ª Expapi é uma realização do Governo da Paraíba, por meio da Sedap-PB e integra o Circuito Paraíba Agronegócios. A exposição, que prossegue até este domingo (24), é feita em parceria com a Associação Paraibana de Criadores de Caprinos, Ovinos e Bovinos (Appaco+Bov), Federação da Agricultura da Paraíba (Faepa-PB), Sistema Nacional de Aprendizagem Rural da Paraíba (Senar-PB), Sociedade Paraibana de Agricultura, Associação Rural da Paraíba, Sebrae Paraíba, Núcleo de Criadores de Sindi da Parayba e Associação Brasileira dos Criadores de Zebu (ABCZ).
Fonte: Paraiba