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Estudante do DF é hospitalizado após automedicação com remédio para vermes

O estudante G.O.F, natural de Brasília, se olhou no espelho em uma semana comum no começo de maio e percebeu que os olhos estavam totalmente amarelados. Assustado, entendeu que algo não estava certo. Dias antes, o bra.....
Foto: Mãos segurando cartela com comprimidos de remédio - Metrópoles - ibuprofeno

O estudante G.O.F, natural de Brasília, se olhou no espelho em uma semana comum no começo de maio e percebeu que os olhos estavam totalmente amarelados. Assustado, entendeu que algo não estava certo. Dias antes, o brasiliense, que preferiu não se identificar, havia tomado um medicamento para verme por conta própria após ver, em uma rede social, uma recomendação que sugeria o uso anual para prevenção de parasitoses. O que parecia um cuidado simples com a saúde acabou evoluindo para um quadro de hepatite medicamentosa e levou à internação. Decisão sem orientação médica Influenciado pela publicação, o estudante decidiu iniciar o uso da nitazoxanida 500 mg, conhecida comercialmente como Annita. Ele seguiu uma das recomendações descritas na bula: tomou o remédio por três dias, a cada 12 horas. A escolha foi feita sem orientação médica. Naquele momento, não havia qualquer sinal de que o organismo reagiria de forma adversa. Os primeiros sinais surgiram de maneira discreta. G.O.F. começou a sentir enjoo, dificuldade para se alimentar e constipação. Na tentativa de aliviar o desconforto, recorreu a medicamentos comuns, como dimenidrinato, omeprazol e simeticona. Houve uma leve melhora inicial, mas o quadro evoluiu rapidamente.

Quando vi meus olhos amarelos, fiquei assustado. A urina com cor semelhante à de Coca-Cola foi o sinal definitivo de que precisava procurar atendimento

, relata. Além da urina escura, ele percebeu fezes muito claras, mesmo mantendo a hidratação adequada. O cansaço também se intensificou. Apesar da gravidade do quadro, não sentia dor intensa. Exames revelam lesão grave no fígado O primeiro atendimento foi em uma Unidade Básica de Saúde (UBS), onde exames laboratoriais de urgência apontaram alterações importantes. Os níveis de enzimas hepáticas estavam muito elevados: TGO acima de mil, TGP superior a 2 mil e bilirrubina em torno de sete. Diante do resultado, ele foi encaminhado ao pronto-socorro com suspeita de intoxicação medicamentosa. Também havia a hipótese de obstrução biliar ou presença de cálculos na vesícula. Exames de imagem, incluindo ressonância magnética, descartaram alterações estruturais. A ausência de dor intensa reforçou o diagnóstico de hepatite medicamentosa. O estudante ficou internado por 12 dias. Ele conta que o período foi marcado por angústia e muito medo. “Foi como perder o controle do corpo. A cor dos olhos realmente muda, e isso assusta muito”, afirma. Ele relata que o atendimento na rede de saúde teve momentos de dificuldade, mas o desfecho foi positivo. Com a suspensão da substância responsável e acompanhamento médico, o fígado começou a se recuperar. Hoje, o estudante reconhece o erro: “Fui irresponsável. Deveria ter procurado um médico antes”. G.O.F usa a própria história para fazer um alerta: “Não tome remédio sem orientação, mesmo que pareça algo simples. Você pode ser aquela pessoa que reage de forma diferente”. O que é hepatite medicamentosa A hepatite medicamentosa é uma inflamação no fígado causada por substâncias externas. Segundo o clínico geral Paulo Camiz, do Hospital Sírio Libanês a condição não está relacionada a vírus ou bactérias. “É uma agressão provocada por alguma substância externa. Pode ser um medicamento, um fitoterápico ou um suplemento”, explica. Entre os medicamentos mais frequentemente associados ao problema estão o paracetamol — principalmente em doses elevadas ou combinado com álcool —, antibióticos, anti-inflamatórios, anticonvulsivantes, estatinas e antifúngicos. O uso de anabolizantes e produtos considerados naturais também pode representar risco. O especialista destaca que, mesmo dentro da dose considerada segura, algumas pessoas podem desenvolver a condição devido a uma predisposição individual. Sinais de alerta e gravidade Os sintomas podem começar de forma leve, mas evoluem em alguns casos. “Enjoo, vômitos, dor do lado direito do abdômen, cansaço e alterações na cor da urina e das fezes são sinais importantes. Pele e os olhos amarelados indicam um quadro mais grave”, afirma o médico. Casos mais severos podem apresentar sangramentos e alterações neurológicas, o que exige atendimento imediato. O diagnóstico é baseado na combinação de sintomas e exames laboratoriais que indicam agressão ao fígado. Também podem ser solicitados testes adicionais para descartar outras causas, como infecções virais ou doenças metabólicas. Segundo Camiz, exames que avaliam a coagulação do sangue também ajudam a identificar a gravidade do quadro. Na maioria dos casos, o fígado consegue se recuperar completamente após a suspensão da substância que causou a lesão. “A maior parte dos pacientes evolui bem quando o problema é identificado a tempo”, destaca o especialista. Casos mais graves, no entanto, podem evoluir para insuficiência hepática, situação que pode exigir transplante. Principais sintomas da hepatite medicamentosa Enjoo e vômitos. Cansaço excessivo. Dor na região direita do abdômen. Urina escura, com aspecto semelhante ao de refrigerante. Fezes claras ou esbranquiçadas. Pele e olhos amarelados (icterícia). O caso de G.O.F. reforça que a automedicação não é uma prática segura, mesmo quando envolve medicamentos considerados comuns. O fígado é responsável por metabolizar diversas substâncias no organismo e pode ser diretamente afetado por uso inadequado de remédios. A orientação médica é essencial para avaliar riscos, doses e possíveis interações. O que parece simples pode ter consequências graves.

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