Sentir-se instável ou com a cabeça leve pode ser alarmante. Embora muitos associem esses sintomas a problemas no labirinto, especialistas afirmam que a ansiedade também pode ser uma causa significativa de desequilíbrio físico e tontura.
O otorrinolaringologista Ricardo Valadares, do Hospital Santa Lúcia Sul, em Brasília, explica que fatores emocionais impactam diretamente as áreas do cérebro que controlam o equilíbrio. O psiquiatra Oswaldo Petermann Neto, que atua na plataforma Doctoralia, complementa que, durante crises de ansiedade, o corpo entra em um estado constante de alerta, resultando em sintomas físicos, sendo a tontura um dos mais frequentes.
Valadares detalha que a ansiedade pode induzir tontura e sensação de instabilidade por diversos mecanismos, como alterações respiratórias devido à hiperventilação, mudanças na postura, sobrecarga visual e estímulos neurológicos relacionados ao estresse. Petermann Neto acrescenta que a ansiedade provoca um aumento da adrenalina e ativa o sistema nervoso simpático, alterando a respiração e a percepção corporal.
Embora a ansiedade possa causar sintomas físicos intensos, os médicos alertam que nem toda tontura é de origem emocional. Problemas vestibulares, como alterações no ouvido interno, apresentam sinais mais específicos, como vertigem rotatória e náuseas. Além disso, doenças neurológicas ou do labirinto costumam vir acompanhadas de perda auditiva e dificuldades motoras.
Alguns sintomas exigem atenção médica imediata, como perda de força muscular e dificuldades na fala. Valadares ressalta que crises frequentes de ansiedade, acompanhadas de medo constante de desmaiar, também necessitam de acompanhamento especializado. Quando a ansiedade se torna crônica, o cérebro permanece em estado de hipervigilância, fazendo com que o paciente perceba cada sensação física como uma ameaça.
Com o tratamento adequado, tanto os sintomas de ansiedade quanto os episódios de desequilíbrio podem ser controlados. Os especialistas enfatizam a importância de não ignorar sinais persistentes e de evitar o autodiagnóstico, recomendando que, diante de tonturas frequentes, se busque avaliação médica para identificar a causa e prevenir complicações.