Estudar em silêncio é um desafio para muitos. Fones de ouvido e playlists instrumentais são comuns entre estudantes que acreditam que a música melhora seu rendimento. Uma pesquisa publicada na revista Psychology of Music investigou essa relação e concluiu que não há uma resposta única sobre o impacto da música na concentração.
O estudo, conduzido por pesquisadores da Edith Cowan University, envolveu 226 universitários e analisou hábitos de estudo, preferências musicais e percepções sobre a influência da música na leitura. Os resultados mostraram que 54% dos participantes ouvem música durante as leituras acadêmicas, enquanto 46% evitam essa prática, considerando-a uma distração.
Entre os que escutam música, a preferência recaiu sobre músicas instrumentais, lentas e sem letra, com a música clássica sendo a mais citada (48%), seguida por rock (33%) e pop (18%). Os estudantes adaptavam suas escolhas musicais de acordo com a dificuldade da tarefa, preferindo músicas mais suaves para leituras complexas.
Os pesquisadores notaram que muitos participantes associavam a música a efeitos positivos nos estudos. Entre os que ouviam música, 57% relataram melhora no foco, 50% afirmaram que a música ajudava a abafar barulhos externos, e 49% notaram um aumento na motivação.
Outro achado importante foi que os efeitos da música variam de pessoa para pessoa. Aqueles que têm uma conexão emocional mais forte com a música tendem a estudar ouvindo som e relatam mais benefícios. Fatores como memória de trabalho e tendência à distração não mostraram relação significativa com o hábito de ouvir música enquanto estuda.
Os autores concluem que o efeito da música nos estudos depende de múltiplos fatores, incluindo preferências pessoais e o contexto da atividade.