Os surtos recentes em cruzeiros trouxeram à tona a discussão sobre dois vírus que têm gerado preocupação: o norovírus e o hantavírus. Embora ambos sejam infecções virais, eles se distinguem significativamente em termos de transmissão e gravidade das doenças que causam.
O médico Sanjith Saseedharan, diretor de uma unidade de terapia intensiva, observa que muitas pessoas confundem os dois vírus.
Embora ambos sejam infecções virais, eles diferem bastante na forma como se espalham, nos sintomas que provocam e no nível de perigo envolvido — afirmou ao site HealthShots.
O norovírus afeta principalmente o sistema digestivo e se espalha rapidamente em ambientes fechados com grande circulação de pessoas, como navios de cruzeiro, escolas e hospitais. É conhecido por causar gastroenterite aguda, com sintomas como diarreia, vômito, náusea, dor abdominal, febre e dores no corpo.
Em contraste, o hantavírus é uma infecção rara que se transmite por roedores contaminados, afetando principalmente os pulmões e os rins. A contaminação ocorre geralmente pela inalação de partículas de poeira contaminadas por urina ou fezes de roedores em locais fechados, como depósitos e porões.
Embora o hantavírus não se espalhe facilmente de pessoa para pessoa, ele é considerado mais perigoso devido ao risco de síndrome pulmonar, uma condição respiratória grave que pode ser fatal. Saseedharan explica:
O norovírus se espalha rapidamente e pode infectar muitas pessoas em pouco tempo. Já o hantavírus se espalha menos, mas apresenta complicações muito mais graves.
Para prevenir infecções por ambos os vírus, especialistas recomendam medidas simples, como lavar as mãos corretamente, higienizar superfícies frequentemente e evitar preparar alimentos quando estiver doente. No caso do hantavírus, é essencial manter ambientes fechados bem ventilados e usar máscaras e luvas ao limpar locais com possível presença de roedores.
Além disso, um estudo recente revelou que o hantavírus pode permanecer no sêmen por até seis anos após a infecção, levantando questões sobre a possibilidade de transmissão sexual, embora casos confirmados ainda sejam considerados raros.