O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem realizado um expurgo dentro do Partido Republicano, afastando correligionários que se tornaram incômodos e reforçando seu domínio sobre a sigla. Um exemplo claro dessa estratégia foi a derrota de dois congressistas críticos ao seu governo nas primárias do partido, ocorrida em um intervalo de menos de uma semana.
Os congressistas Thomas Massie, de Kentucky, e Bill Cassidy, de Louisiana, estavam em disputa por cadeiras no Congresso nas eleições de meio de mandato, programadas para novembro. Ambos foram superados por candidatos que são mais alinhados ao trumpismo. No sistema eleitoral americano, as primárias funcionam como uma seleção interna, onde os candidatos precisam ser escolhidos dentro do partido para concorrer nas eleições.
Massie foi derrotado em uma votação interna do Partido Republicano, enquanto Cassidy perdeu no sábado anterior. Eles se juntam ao senador Thom Tillis, da Carolina do Norte, que decidiu se aposentar após desentendimentos com Trump. Além disso, cinco senadores estaduais republicanos da Louisiana também não conseguirão se reeleger após se oporem a uma reforma eleitoral proposta por Trump.
As eleições de meio de mandato são vistas como cruciais, pois podem resultar na perda da maioria que Trump atualmente detém no Senado e na Câmara dos Representantes, especialmente em um contexto de queda na popularidade de seu governo.
Massie, que atuava como deputado desde 2012, destacou-se por suas críticas às ações da administração em relação à Venezuela e ao Irã, além de seu trabalho na liberação de documentos do Departamento de Justiça sobre Jeffrey Epstein. Durante a campanha, ele enfatizou seu alinhamento com o Partido Republicano, exceto em propostas que contradissessem o princípio 'America First'.
O deputado também gerou descontentamento entre grupos de lobby pró-Israel ao votar contra o apoio militar a Tel Aviv. Como resultado, esses grupos investiram mais de 9 milhões de dólares na campanha de seu adversário, Ed Gallrein, um ex-membro da Navy Seal. A disputa entre Massie e Gallrein se tornou a primária para deputados mais cara da história dos Estados Unidos.
Republicanos que apoiaram Massie também foram alvo de críticas de Trump. A deputada Lauren Boebert, do Colorado, foi chamada de 'burra' pelo presidente em redes sociais, que pediu a outros republicanos que se candidatassem para sua vaga, apesar do prazo já ter expirado.
Após sua derrota, Massie criticou a lealdade cega a Trump no Congresso, afirmando que isso resultaria em um 'governo da arruaça'. Ele também fez uma observação sarcástica sobre o apoio financeiro que Gallrein recebeu de grupos pró-Israel, mencionando que teve dificuldade em localizá-lo para parabenizá-lo pela vitória.
Cassidy, que já havia perdido uma primária para o Senado, também se tornou alvo de Trump por ter votado a favor da condenação do presidente após a invasão do Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Ele ficou em terceiro lugar nas primárias, após Trump chamá-lo de 'desastre desleal' nas redes sociais.
Outro republicano que enfrentou a ira de Trump foi o secretário de Estado da Geórgia, Brad Raffensperger, que resistiu a pressões para alterar o resultado da eleição presidencial de 2020 no estado. Embora algumas vitórias de Trump sobre dissidentes tenham ocorrido em primárias, nem todas foram bem-sucedidas. A ex-deputada Marjorie Taylor Greene, que criticou o apoio dos EUA a Israel, também enfrentou a pressão de Trump e renunciou ao seu mandato.
O diretor de comunicações da Casa Branca, Steven Cheung, afirmou nas redes sociais que 'nunca duvidem do presidente Trump e de seu poder político'.