O Brasil tem registrado um aumento no número de empresas interessadas em expandir suas operações ou iniciar atividades na Venezuela. Fontes diplomáticas indicam que esse movimento se intensificou após a ação militar dos Estados Unidos que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro. Desde então, diversas empresas têm procurado o Ministério das Relações Exteriores e a embaixada da Venezuela em Brasília para obter informações sobre a possibilidade de atuar no país caribenho.
O interesse é especialmente forte entre empresas dos setores de óleo e gás, agricultura, construção civil e sistema financeiro. Entre as companhias que demonstraram interesse, estão a J&F, Maha Energy e Alvorada Petróleo. Diplomatas acreditam que essa movimentação é impulsionada pelas mudanças políticas na Venezuela, com a nova liderança e a reversão das sanções impostas pelos Estados Unidos.
A situação econômica na Venezuela apresenta sinais de recuperação desde que as sanções começaram a ser retiradas. A nova administração, liderada por Delcy Rodrigues, estabeleceu uma relação mais próxima com os Estados Unidos, que havia sido rompida durante o governo de Maduro. Com uma das maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela se torna um mercado atraente para empresas brasileiras.
Embora o comércio bilateral tenha enfrentado dificuldades nos últimos anos, a saída de Maduro e a expectativa de estabilidade política e econômica renovam as perspectivas. O embaixador Laudemar Aguiar, do Ministério das Relações Exteriores, destaca que a proximidade geográfica da Venezuela pode reduzir custos de transporte, além de abrir novas oportunidades de negócios, como a importação de ureia, um fertilizante crucial para a agricultura brasileira.
Dados do Comércio Exterior mostram um aumento nas importações de ureia da Venezuela, que se tornou a principal fonte do produto para o Brasil. Entre janeiro e abril deste ano, o Brasil importou mais de 137 mil toneladas de ureia venezuelana, além de outros produtos como metanol e alumínio. O fluxo comercial entre os dois países também indica crescimento, com exportações brasileiras para a Venezuela superando 427 mil toneladas no mesmo período.