Intersexo refere-se a pessoas que apresentam características biológicas, como cromossomos, hormônios e órgãos reprodutivos, que não se encaixam nas definições tradicionais de masculino ou feminino. O diagnóstico pode ser feito logo após o nascimento, na adolescência ou na vida adulta, e as variações intersexo podem não apresentar sinais visíveis.
A endocrinologista Alexandra Saliba explica que o termo abrange diferentes condições médicas, descrevendo-o como um espectro com diversas fisiopatologias e implicações de saúde. A presença de genitália atípica é uma das principais razões para o diagnóstico na infância, com casos como micropênis e aumento do clitóris chamando a atenção da equipe médica.
Na adolescência, sinais como atraso puberal e ausência de menstruação podem levar a investigações mais profundas. O geneticista Paulo Zattar Ribeiro ressalta que a suspeita de intersexo pode surgir em qualquer fase da vida, dependendo da apresentação clínica, e muitos casos podem passar despercebidos por anos.
O diagnóstico envolve uma combinação de avaliação clínica, exames laboratoriais, testes genéticos e exames de imagem. Exames como cariótipo e dosagem hormonal são essenciais para entender o desenvolvimento sexual do paciente. Ribeiro destaca que os testes genéticos modernos aumentaram a capacidade de identificação dessas condições.
Após o diagnóstico, o acompanhamento é multidisciplinar, envolvendo endocrinologistas, geneticistas e outros profissionais de saúde. O tratamento varia conforme a condição e pode incluir reposição hormonal e monitoramento da saúde ao longo da vida, conforme enfatiza Saliba.