Uma análise recente revela que, apesar de alguns avanços, a capacidade global de resposta a pandemias não acompanhou o aumento dos riscos. O documento, divulgado durante a Assembleia Mundial da Saúde, aponta que surtos de doenças infecciosas estão se tornando mais frequentes e difíceis de controlar.
O estudo destaca a desigualdade no acesso a ferramentas essenciais de combate a doenças, como vacinas e tratamentos. Por exemplo, vacinas contra a varíola levaram quase dois anos para chegar a países de baixa renda após o início do surto, enquanto no caso da Covid-19, o intervalo foi de cerca de 17 meses.
Além disso, crises sanitárias recentes minaram a confiança em governos e instituições científicas, exacerbadas por respostas politizadas e desinformação. A redução da ajuda internacional também é uma preocupação, com o financiamento para ações de desenvolvimento retornando a níveis de 2009.
O relatório indica que uma nova pandemia enfrentaria um cenário mais complexo, com maior fragmentação entre países e dificuldades de coordenação. Kolinda Grabar-Kitarovic, copresidente do conselho, afirma que, embora soluções existam, a falta de confiança e equidade impede que cheguem a quem mais precisa.
O documento sugere que a implementação de ações concretas é crucial antes da próxima crise. O uso de tecnologias como inteligência artificial é destacado como uma ferramenta útil, desde que acompanhada de regras claras para evitar desigualdades.
Medidas essenciais incluem melhorar o monitoramento de riscos, ampliar o acesso a vacinas e garantir financiamento para ações de prevenção. Joy Phumaphi, também copresidente do grupo, alerta que a cooperação enfraquecida tornará todos os países mais vulneráveis a futuras pandemias.
O relatório enfatiza que decisões em discussão, como acordos internacionais sobre preparação para pandemias, terão um impacto significativo na capacidade de resposta global nos próximos anos.