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Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz, recebe alta hospitalar

Foto de Narges Mohammadi divulgada neste domingo (10) pela fundação que leva o nome da ativista. Não há confirmação sobre a data em que a foto foi tirada. Narges Foundation Archive via AP A vencedora iraniana Narges M.....
Foto: G1

Foto de Narges Mohammadi divulgada neste domingo (10) pela fundação que leva o nome da ativista. Não há confirmação sobre a data em que a foto foi tirada.

Narges Foundation Archive via AP

A vencedora iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz e presa pelo regime iraniano, recebeu alta do hospital onde estava internada e conseguiu autorização para voltar para casa, informou nesta segunda-feira (18) a fundação administrada por sua família.

➡️ Mohammadi, de 53 anos, estava internada havia semanas após o regime dos aiatolás autorizar sua transferência a um hospital. Ela sofre de problemas cardíacos, que desenvolveu durante os mais de 20 anos que já passou na prisão (

Na semana passada, ela havia sofrido uma piora em seu estado de saúde, segundo informou seu instituto nesta quarta-feira (13). A fundação que leva seu nome afirmou que a ativista teve uma deterioração grave da condição cardíaca e do sistema nervoso.

Sua fundação afirma que ela teve de ser submetida a um exame de avaliação angiográfica com urgência, que apontou "deterioração" da doença vascular e danos no cérebro.

Os achados dessa avaliação angiográfica (…) indicam deterioração significativa e progressão da doença vascular. (…) Sua equipe médica anunciou hoje que uma parte do sistema nervoso central no cérebro, responsável pelo controle autônomo e pela regulação precisa da pressão arterial, sofreu comprometimento funcional — disse o instituto, em nota.

Nas últimas semanas, o estado de saúde da ativista se tornou crítico, segundo parentes, e, após apelos e pressão até do Instituto do Prêmio Nobel, o regime iraniano autorizou a liberdade condicional sob fiança de Mohammadi para que ela fosse levada a um hospital.

Iraniana Prêmio Nobel da Paz em 2023, Narges Mohammadi, está "entre a vida e a morte"

Mohammadi estava presa desde dezembro na prisão da cidade de Zanjan. Na prisão, ela sofreu um infarto e perdeu a consciência duas vezes, segundo seu instituto, além de desenvolver um coágulo sanguíneo no pulmão. Parentes afirmam também que ela foi espancada no presídio.

Desde que foi hospitalizada, a pressão arterial de Mohammadi tem oscilado entre extremamente baixa e extremamente alta, e ela está recebendo oxigênio para respirar e não consegue falar, segundo seu irmão.

A iraniana ainda tem 18 anos de prisão restantes.

Devemos garantir que ela nunca retorne à prisão para cumprir os 18 anos restantes de sua sentença. Agora é a hora de exigir sua liberdade incondicional e a retirada de todas as acusações — disse a fundação à agência de notícias Associated Press.

A recomendação para que ela deixasse a prisão partiu, inclusive, de uma comissão médica indicada pelo próprio regime iraniano. Após uma inspeção, os médicos declararam que,

devido às suas múltiplas doenças, ela precisa continuar o tratamento fora da prisão e sob a supervisão de sua própria equipe médica

.

O Comitê do Nobel também chegou a pedir às autoridades iranianas que transferissem imediatamente Mohammadi para sua equipe médica dedicada em Teerã, afirmando que,

sem esse tratamento, sua vida continua em risco

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Prêmio Nobel

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Narges Mohammadi, uma mãe de gêmeos e engenheira, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em 2023 enquanto estava na prisão

Há duas décadas, a ativista é uma das principais defensoras dos direitos das mulheres e da abolição da pena de morte no Irã, um dos países que mais utilizam esse método de punição no mundo. Ela já foi presa seis vezes, a primeira delas há 22 anos.

Desde janeiro de 2022, cumpre pena de 10 anos e 9 meses de prisão por espalhar propaganda contra o governo no presídio de Evin, em Teerã, conhecido por abrigar críticos do regime.

Narges é uma defensora dos direitos humanos e uma pessoa que luta pela liberdade. Nós queremos apoiar sua luta corajosa e reconhecer milhares de pessoas que se manifestaram contra o regime teocrático de repressão e discriminação que tem como alvo as mulheres no Irã — declarou a presidente do Comitê do Nobel, Berit Reiss-Andersen, em 2023.

Mesmo atrás das grades, Mohammadi é atualmente vice-diretora do Centro de Defensores dos Direitos Humanos do Irã, organização não governamental liderada por Shirin Ebadi, ganhadora do Prêmio Nobel da Paz em 2003.

👉 E se tornou um dos principais nomes da chamada revolução feminina, a onda de protestos de mulheres no Irã que começou com a morte de Mahsa Amini.

Amini era uma jovem de 22 anos que em setembro de 2022 viajava de férias com a família pelo Irã quando foi abordada pela chamada polícia da moralidade, que fiscaliza o cumprimento das normas de vestimentas impostas a mulheres iranianas.

A jovem foi presa por "uso incorreto" do véu, segundo a polícia iraniana, segundo quem ela usava o acessório mostrando um pouco do cabelo. Dois dias depois, ainda sob custódia policial, foi internada em estado grave, com lesões na cabeça. O caso começou a chamar a atenção no país, e a jovem morreu no hospital.

Instantaneamente, a morte de Mahsa Amini desencadeou um dos maiores movimentos contra o regime do Irã.

Vida de ativista vencedora do Nobel da Paz está nas mãos do governo iraniano, diz comitê do prêmio

A ativista iraniana Narges Mohammadi, vencedora do Nobel da Paz 2023, em foto de arquivo

Reuters

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