Frases que compõem a fala interna, como 'eu não consigo' e 'eu sou capaz', desempenham um papel crucial na forma como o cérebro interpreta emoções e situações desafiadoras. Estudos demonstram que essa autoconversa pode influenciar a regulação emocional, embora o cérebro não aceite essas afirmações de maneira literal.
O neurocientista Carlos Tomaz explica que o cérebro reage a experiências passadas, comparando novas situações com memórias anteriores. Ele destaca que, ao verbalizar um pensamento, a pessoa ativa não apenas a ideia, mas também o som da própria voz, o que pode intensificar a resposta cerebral. 'Quando eu uso mais de uma modalidade sensorial, existe um circuito de retroalimentação auditiva que afeta outras áreas do cérebro', afirma.
A psiquiatra Ana Caroline Santana adverte que a influência da fala interna não deve ser simplificada. Pensamentos negativos persistentes podem estar associados a condições como ansiedade e depressão, e a ideia de que 'pensar positivo' é suficiente para a melhora pode ser prejudicial. 'Essa visão ignora que transtornos mentais têm bases biológicas, sociais e psicológicas', explica.
Tomaz também menciona a neuroplasticidade, a capacidade do cérebro de se reorganizar com base nas experiências. Esse fenômeno é especialmente relevante em crianças e adolescentes, pois experiências positivas podem fortalecer circuitos neurais relacionados ao autocontrole e à regulação emocional. Por outro lado, situações de estresse crônico e pensamentos negativos podem prejudicar essa estrutura.
Embora a fala interna tenha um impacto significativo nas emoções e comportamentos, é fundamental buscar ajuda profissional quando pensamentos negativos se tornam persistentes e prejudiciais à rotina.