Na recente cúpula de ministros das Relações Exteriores dos países do Brics, os Emirados Árabes Unidos acusaram o Irã de realizar atentados terroristas contra seu território. O vice-chanceler Khalifa Shaheen Al Marar, representante dos Emirados no evento, rejeitou as alegações do Irã e criticou suas tentativas de justificar os ataques. Em sua declaração, Al Marar destacou que, apesar das condenações internacionais, o Irã continuou com suas ações terroristas, desrespeitando o consenso global.
O vice-chanceler também se referiu ao bloqueio parcial do Irã e aos ataques a navios no Estreito de Ormuz como formas de 'pressão econômica' e 'chantagem', caracterizando-os como atos de pirataria. Essa rota marítima é crucial, pois transporta cerca de 20% do petróleo mundial, e tem enfrentado restrições impostas por forças iranianas desde o início do conflito.
No comunicado, que mencionou 'ataques terroristas' em várias ocasiões, Al Marar alertou que os Emirados se reservam o direito de defender sua soberania e proteger seus cidadãos. O clima da reunião foi tenso, com o chanceler iraniano, Abbas Araghchi, afirmando que o representante dos Emirados trouxe à tona questões relacionadas à guerra, algo que o Irã preferia evitar para manter a coesão do Brics.
Araghchi expressou sua insatisfação, afirmando que se viu obrigado a explicar a situação, ressaltando que os Emirados se alinharam aos Estados Unidos e a Israel durante o conflito. A relação entre os dois países se deteriorou após o início da guerra no Oriente Médio, com o Irã realizando ataques contra nações vizinhas, que contestam as alegações de Teerã sobre os alvos das ofensivas.
Além disso, um dia antes da cúpula, surgiram novas tensões devido a uma suposta visita secreta do primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aos Emirados, que foi negada por Abu Dhabi, mas irritou Teerã, que interpretou o encontro como um sinal de cumplicidade com os EUA e Israel.