O tratamento da obesidade está passando por uma transformação significativa. Especialistas agora se concentram não apenas na perda de peso, mas também na manutenção do peso, preservação da massa muscular e acesso a novas terapias. Esses temas foram abordados no Congresso Europeu de Obesidade, realizado em Istambul, na Turquia.
Um dos destaques do evento foi a apresentação de uma dose mais alta do Wegovy, um medicamento à base de semaglutida. A Novo Nordisk enfatizou que a perda de peso com o medicamento se deve principalmente à redução da gordura corporal, e não apenas à diminuição do peso na balança. Em um estudo que comparou a semaglutida de 7,2 mg com doses menores, 84% do peso perdido foi atribuído à redução da massa gorda, preservando a função muscular.
Os participantes que utilizaram a dose de 7,2 mg perderam, em média, 21% do peso corporal, enquanto aqueles que usaram a dose de 2,4 mg perderam 17,5%. Entre os que apresentaram perda significativa de peso nas primeiras semanas, a redução chegou a 27,7% ao final do acompanhamento.
Cynthia Valério, diretora da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica, destacou a importância de estudos focados na manutenção do tratamento após a perda de peso. Ela observou que, pela primeira vez, foram apresentados estudos que avaliam a eficácia do tratamento na fase de manutenção, quando os pacientes entram em um platô.
A obesidade é uma doença crônica e multifatorial, e especialistas defendem que o tratamento deve ser contínuo, envolvendo mudanças no estilo de vida, acompanhamento nutricional, atividade física e, em alguns casos, uso de medicamentos. Os dados do congresso ressaltam a importância da manutenção do peso perdido e discutem alternativas para evitar o efeito sanfona.
Uma das frentes em análise envolve medicamentos orais que poderiam ser utilizados em diferentes fases do tratamento. A semaglutida em comprimido é uma opção que pode ampliar as alternativas terapêuticas, especialmente para pacientes que têm dificuldades com injeções.
Os especialistas também abordaram a preservação da massa muscular durante o emagrecimento, uma preocupação crescente com o uso de medicamentos agonistas de GLP-1. Pesquisadores estão investigando como combinar esses tratamentos com alimentação adequada e exercícios de força.
Além disso, o conceito de 'food noise', que se refere a pensamentos intrusivos sobre comida, foi discutido. Estudos sugerem que medicamentos da classe dos agonistas de GLP-1 podem ajudar a controlar a fome e a saciedade.
Os dados apresentados no congresso reforçam que o tratamento da obesidade vai além da estética e da força de vontade, envolvendo fatores hormonais, metabólicos e comportamentais. A próxima fase no combate à obesidade será marcada por tratamentos mais eficazes e estratégias de manutenção, com foco na saúde a longo prazo.