A Polícia Federal (PF) está conduzindo uma investigação sobre um suposto esquema de contrabando de diamantes e lavagem de dinheiro em Roraima, tendo como foco principal o empresário Fabrício de Souza Almeida, sobrinho do governador Antonio Denarium. Documentos do inquérito revelam que Fabrício se apresentou à Polícia Rodoviária Federal (PRF) como "sobrinho do governador" durante uma abordagem na BR-174 em 2020.
As investigações levantam suspeitas de que ele esteja ligado a atividades de garimpo ilegal, além de movimentações financeiras milionárias que não condizem com a estrutura formal que declarou. O caso teve início após a abordagem da PRF em agosto de 2020, quando Fabrício e Zaqueu Pavão Barros estavam em uma Mitsubishi Triton. Os policiais desconfiaram das explicações dadas sobre o trajeto, que inicialmente indicava uma viagem de uma fazenda em Iracema (RR), mas um comprovante de compra em Porto Velho (RO) revelou que estavam em outro local no dia anterior.
O relatório policial também menciona que Fabrício foi preso em 2010 em Rondônia, durante uma operação da PF, quando foi encontrado com diamantes e dinheiro em espécie. Além disso, há indícios de vínculos entre pessoas próximas a ele e alvos anteriores da Operação Exodus, que investigou lavagem de dinheiro e contrabando de diamantes.
Outro aspecto que chamou a atenção dos investigadores foi a empresa FB Serviços, registrada em nome de Fabrício, que não possuía funcionários ou veículos relacionados à atividade econômica formal. Apesar disso, a empresa movimentou mais de R$ 6,13 milhões entre setembro de 2019 e março de 2020, com o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificando transações suspeitas e saques expressivos.
A PF também analisou as redes sociais de Fabrício, onde encontrou publicações que sugerem ligação com atividades de garimpo e um estilo de vida ostentatório. Em uma postagem de 2015, um familiar o chamou de "the diamond king". Além disso, Fabrício não possui registros formais de vínculo empregatício.
A investigação se estendeu à proprietária do veículo abordado, Valdete Ribeiro da Silva, cuja renda não parece compatível com o patrimônio registrado em seu nome. Isso levanta suspeitas de que "laranjas" possam estar sendo utilizados para ocultar patrimônio, uma prática comum em esquemas de lavagem de dinheiro. O inquérito investiga organização criminosa, lavagem de dinheiro e crimes contra a ordem econômica relacionados ao comércio ilegal de diamantes.
Fonte: Metropoles