A Secretaria de Estado da Saúde da Paraíba (SES) está promovendo uma capacitação em Cajazeiras, de 11 a 15 de outubro, com o intuito de ampliar o diagnóstico precoce da hanseníase, fortalecer a busca ativa e combater o preconceito relacionado à doença. A atividade é parte do Projeto Sasakawa, uma iniciativa internacional focada na eliminação da hanseníase e no fortalecimento das estratégias de cuidado.
O evento reúne profissionais da Atenção Primária das 7ª e 9ª Regiões de Saúde, oferecendo atividades teóricas e práticas para qualificar o atendimento e tornar o diagnóstico mais acessível. A Paraíba, pela primeira vez, integra essa estratégia nacional em colaboração com o Ministério da Saúde e a Sasakawa Health Foundation.
Nesta terceira etapa do projeto, médicos, enfermeiros, fisioterapeutas e profissionais de laboratórios municipais estão sendo capacitados, com foco na vigilância laboratorial da hanseníase. O Laboratório Central de Saúde Pública da Paraíba (Lacen-PB) e a Coordenação-Geral de Laboratórios de Saúde Pública (CGLAB) também apoiam a ação, visando fortalecer o diagnóstico e monitoramento da doença.
Danielle Victor, apoiadora institucional da Vigilância em Saúde, enfatizou a importância do apoio institucional para garantir a continuidade das ações nos municípios. Segundo ela, essa colaboração é fundamental para identificar as necessidades locais e fortalecer o enfrentamento da hanseníase.
A fisioterapeuta Geisa Campos destacou a relevância do Projeto Sasakawa na região de Cajazeiras, uma área de alta endemicidade. Ela ressaltou que o projeto, financiado por uma fundação japonesa, visa fortalecer o diagnóstico precoce e assegurar o tratamento adequado.
O dermatologista Maurício Nobre alertou sobre os desafios no combate à hanseníase, que muitas vezes se manifesta de forma silenciosa. Ele recomendou que a população procure atendimento em caso de lesões persistentes na pele, pois o diagnóstico precoce é crucial para um tratamento eficaz.
Cristina Carolina, coordenadora da Vigilância Epidemiológica de Cajazeiras, destacou que a iniciativa também busca combater a desinformação sobre a transmissão da hanseníase, esclarecendo que a doença não é transmitida pelo beijo ou toque, mas sim por gotículas de pacientes não tratados.
O Projeto Sasakawa é desenvolvido em três etapas, com a primeira focada na qualificação dos Agentes Comunitários de Saúde e a segunda na busca ativa de contatos e pessoas com suspeita da doença. A terceira etapa, em andamento, visa capacitar profissionais da Atenção Primária à Saúde e fortalecer a vigilância laboratorial.
As atividades teóricas estão sendo realizadas no Auditório Zé Bigode, da Faculdade Santa Maria, enquanto as práticas ocorrem em unidades de saúde de Cajazeiras. Essa capacitação dá continuidade a estratégias anteriores, incluindo a qualificação de 181 Agentes Comunitários de Saúde, visando fortalecer a educação em saúde e a vigilância ativa na região.