A recente prisão do ex-goleiro Bruno Fernandes trouxe à tona a revolta da família de Eliza Samudio, que expressou críticas severas à maneira como o ex-jogador cumpria sua pena pela morte da modelo. Maria do Carmo, representante legal da família e presidente do movimento Vítimas Unidas, comentou que a captura gerou alívio, mas também evidenciou um sentimento de impunidade que persiste no caso. 'Parece que o crime compensa', afirmou.
Maria do Carmo revelou que Sônia Moura, mãe de Eliza, já estava ciente da prisão de Bruno, ocorrida em São Pedro da Aldeia, no Rio de Janeiro. Ela criticou a progressão de regime concedida ao ex-goleiro, alegando que seu comportamento nos últimos anos demonstrou desrespeito às regras judiciais. 'Ele viajava quando queria, saía à noite quando queria, fazia o que queria', disse.
A representante da família também destacou que Bruno não paga pensão ao filho de Eliza há quase quatro anos e mencionou a exposição pública do ex-goleiro em eventos e jogos de futebol, que, segundo ela, contribuiu para uma 'glamourização' do caso. 'Isso foi muito ruim para a luta contra o feminicídio', afirmou.
Maria do Carmo enfatizou que a família de Eliza ainda não conseguiu superar o crime, pois o corpo dela nunca foi encontrado. 'A família da Eliza até hoje está presa na dor', declarou. Ela expressou a esperança de que a Justiça não permita um retorno de Bruno ao regime semiaberto ou prisão domiciliar, considerando isso 'uma das coisas mais absurdas do mundo'.
O caso de Bruno se tornou um símbolo na discussão sobre feminicídio e responsabilização criminal no Brasil. 'Não adianta fazer campanha contra feminicídio e, ao mesmo tempo, passar a sensação de impunidade em um caso dessa dimensão', concluiu.
Bruno foi preso após a Vara de Execuções Penais do Rio de Janeiro identificar descumprimento das regras da liberdade condicional, incluindo uma viagem ao Acre sem autorização judicial. O Ministério Público também apontou falta de atualização de endereço e violações de horários de recolhimento. Considerado foragido por cerca de dois meses, ele foi localizado pela Polícia Militar.
Fonte: Metropoles