A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou cinco casos de hantavírus em um cruzeiro, onde três pessoas já faleceram. O navio, que partiu da Argentina no início de abril, teve sua primeira vítima, um passageiro alemão, que morreu após contrair o vírus. Um casal holandês também perdeu a vida em decorrência da doença.
O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, afirmou que a ameaça à saúde pública é considerada baixa, apesar do surto. Ele destacou que a OMS está ciente de relatos de outros pacientes e que novos casos podem surgir devido ao longo período de incubação do hantavírus.
Maria Van Kerkhove, diretora do Departamento de Prevenção e Preparo para Epidemias e Pandemias, enfatizou que a situação é distinta da pandemia de Covid-19, ressaltando que o hantavírus não se espalha da mesma forma e, na maioria das vezes, não é transmitido de pessoa para pessoa.
Um especialista da OMS está a bordo do navio, monitorando os passageiros até a chegada em Tenerife, na Espanha. A OMS também notificou os países de origem dos passageiros que desembarcaram na ilha de Santa Helena, incluindo Canadá, Dinamarca, Alemanha, Holanda, Nova Zelândia, entre outros.
Além dos casos confirmados, há investigações em andamento sobre pacientes na França, Holanda e Singapura que não estiveram no cruzeiro, mas apresentam sintomas suspeitos. Na Holanda, uma comissária de bordo da KLM foi internada após contato com a viúva de um dos falecidos.
O governo da Singapura isolou duas pessoas que estavam no mesmo voo que a viúva da primeira vítima. Nos Estados Unidos, três estados estão monitorando pacientes com sintomas suspeitos. A OMS está colaborando com os países para rastrear contatos e limitar a disseminação do vírus.
O cruzeiro MV Hondius, da Oceanwide Expeditions, originalmente partiu de Ushuaia, na Argentina, e deveria terminar em Cabo Verde. A origem do possível contágio fora do navio pode estar relacionada ao desembarque de cerca de 40 passageiros na ilha de Santa Helena, onde 29 deles não retornaram à embarcação.
As autoridades tentam rastrear os passageiros que desembarcaram, pois o contato com moradores de Santa Helena pode representar um risco à saúde pública. Os hantavírus, transmitidos principalmente por roedores, podem causar problemas respiratórios e febres hemorrágicas.