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Médico relata experiência traumática em clínica de reabilitação

Um médico de 27 anos compartilha sua experiência de internação involuntária em uma clínica de reabilitação, onde enfrentou violência e apagamento de sua identidade por 40 dias.
Foto: médico

Um médico de 27 anos denunciou ter sido internado à força em uma clínica de reabilitação em Teresina (PI). Em uma carta de desabafo, ele descreve um período de violência e sofrimento psicológico durante os 40 dias em que esteve internado.

O profissional relata que na madrugada de 17 de março de 2026, foi retirado de casa contra sua vontade. Ele estava dormindo quando sua mãe o chamou para ajudar o irmão e, ao abrir a porta, encontrou quatro homens que o agrediram fisicamente. Ele tentou resistir por mais de duas horas, pedindo ajuda e tentando ligar para um advogado, mas seu celular foi escondido.

Mesmo com a chegada da polícia, seus pedidos para falar com um advogado foram ignorados. Ele foi algemado, apesar de nunca ter cometido crimes, e sentiu que seus direitos foram violados. Nos primeiros dias na clínica, ele descreve uma perda total da autonomia e da identidade, afirmando: “Eu sumi. Me apagaram como pessoa.”

O médico passou dias sem avaliação médica adequada e foi colocado em um quarto coletivo, o que agravou seu colapso psicológico. Ele teve que reprimir sua identidade, fingindo ser heterossexual e evitando expressar seus gostos pessoais por medo de represálias.

Ele questiona a falta de exames que comprovassem sua suposta dependência química, que justificou sua internação involuntária.

Qual clínica interna uma pessoa por suposta dependência química e não faz um exame?

, indaga. O médico critica ainda as condições emocionais enfrentadas no local, afirmando que não é tratamento submeter um paciente LGBT a um ambiente de homofobia.

O relato inclui momentos de desespero, como acordar à noite e ver pessoas em surto, sem poder sair ou conversar. Ele também menciona o descaso com problemas físicos, como picadas de insetos, que não eram tratados adequadamente.

Após mais de 30 dias, ele conseguiu pedir ajuda através de um celular escondido e foi assistido por uma advogada. Sua saída da clínica ocorreu após uma mobilização envolvendo polícia e movimentos sociais.

O médico questiona os motivos de sua internação e expressa a sensação de violação e exposição. Apesar do trauma, ele busca reconstruir sua vida e clama por empatia, desejando que seus pensamentos possam trazer luz e amor ao mundo.

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