À medida que o Dia da Vitória se aproxima, o Kremlin se encontra em um estado de alerta elevado. Um relatório de inteligência europeu, publicado pelo portal Vazhnyye Istorii, revela um clima de crescente paranoia entre os círculos próximos a Vladimir Putin, que teme conspirações internas e até tentativas de assassinato.
Esse cenário de insegurança se intensifica após o anúncio do Ministério da Defesa da Rússia sobre um cessar-fogo temporário com a Ucrânia nos dias 8 e 9 de maio, quando o país celebra o feriado. O comunicado russo expressa a expectativa de que a Ucrânia também suspenda suas operações militares durante as comemorações que marcam os 81 anos da derrota da Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial. Em resposta, o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que a vida humana é 'muito mais valiosa do que qualquer celebração de aniversário'.
O Dia da Vitória, tradicionalmente uma demonstração do poder militar russo, ocorrerá este ano sob um contexto de segurança reforçada e restrições sem precedentes. O relatório indica que essas medidas refletem não apenas os efeitos da guerra na Ucrânia, mas também um aumento da desconfiança dentro do próprio Kremlin, onde o controle interno se torna tão crucial quanto as operações no campo de batalha.
Neste ano, o evento será marcado por restrições incomuns, com a ausência de parte do armamento pesado habitual e uma presença significativa de medidas de segurança, evidenciando preocupações com possíveis ataques e a estabilidade interna. O documento revela que o temor de Putin não se limita ao conflito externo, mas também abrange a possibilidade de fragmentação das lealdades dentro do sistema político.
Desde março de 2026, o Kremlin vive um clima de 'extrema ansiedade', com um aumento significativo nas estruturas de proteção ao redor do presidente e mudanças profundas na rotina de segurança. A inteligência descreve um ambiente marcado por paranoia e crescente isolamento do núcleo decisório, afetando diretamente as comunicações internas e o fluxo de informações.
O Serviço Federal de Proteção (FSO) teria elevado o nível de vigilância em torno de Putin, implementando múltiplas barreiras de triagem para visitantes, inspeções reforçadas em áreas presidenciais e restrições de deslocamento para o presidente e sua família. Além disso, o uso frequente de bunkers e a substituição de aparições públicas por imagens pré-gravadas se tornaram comuns.
Funcionários próximos ao presidente estão proibidos de usar celulares com internet e de utilizar transporte público, além de terem suas residências monitoradas. O relatório também destaca um aumento de tensões entre as principais estruturas de segurança da Rússia, conhecidas como siloviki, após uma série de assassinatos de oficiais militares de alta patente.
A disputa entre o Estado-Maior, o FSB e a Rosgvardia sobre falhas na proteção de lideranças militares se intensificou, com o chefe do Estado-Maior, Valery Gerasimov, pressionando por mudanças no sistema de segurança. O documento menciona também Sergei Shoigu, ex-ministro da Defesa, cuja influência no alto comando militar e a prisão de aliados próximos aumentaram as percepções de instabilidade política na elite russa.
Outro temor destacado no relatório é o uso de drones em possíveis tentativas de assassinato contra o presidente, o que levou ao reforço das defesas em Moscou, incluindo bloqueios temporários de comunicação em áreas estratégicas e patrulhamento intensificado em pontos sensíveis da capital.