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Ministério Público de Contas recomenda reprovação das contas de Bayeux

Um parecer do Ministério Público de Contas da Paraíba aponta sérias irregularidades na gestão da Prefeitura de Bayeux em 2021, sugerindo a reprovação das contas da ex-prefeita Luciene Gomes.
Foto: Assessoria

O Ministério Público de Contas da Paraíba emitiu um parecer que revela graves irregularidades na administração da Prefeitura de Bayeux durante o exercício financeiro de 2021, sob a responsabilidade da ex-prefeita Luciene Andrade Gomes Martinho. O documento recomenda a reprovação das contas, a aplicação de multa e a imputação de débito à gestora, além de encaminhar o caso ao Ministério Público Estadual.

O processo, que está em tramitação no Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB), identificou um cenário crítico, com 53 irregularidades atribuídas diretamente à prefeita, além de inconsistências na contabilidade municipal. Entre os problemas destacados estão a abertura de créditos sem respaldo legal, despesas realizadas sem empenho prévio, pagamentos fora da ordem cronológica e registros de valores sem comprovação adequada.

Além disso, foram identificadas despesas ilegais ou irregulares, algumas com impacto direto no patrimônio público. O relatório também apontou um déficit financeiro significativo ao final do exercício, despesas não autorizadas e a falta de documentação comprobatória em diversos casos. Também foram registrados desvios de finalidade na aplicação de recursos vinculados e uso indevido de verbas públicas.

No que diz respeito à gestão fiscal, o parecer destaca irregularidades relacionadas à gestão de pessoal, como despesas acima dos limites estabelecidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal, aumento de contratações temporárias sem justificativa e acúmulo indevido de cargos públicos. Um aspecto central da análise refere-se ao pagamento de subsídios a secretários municipais fora dos parâmetros legais, com valores pagos sem a devida previsão na legislação municipal.

Embora o Supremo Tribunal Federal (STF) permita o pagamento de 13º salário e adicional de férias a agentes políticos, essa possibilidade depende de previsão em lei local específica, o que, segundo o Ministério Público de Contas, não foi observado em Bayeux.

Diante do conjunto de irregularidades, o parecer conclui pela rejeição das contas de governo e pela irregularidade das contas de gestão, sugerindo a apuração de possíveis atos de improbidade administrativa. Também foi determinada a abertura de um procedimento específico para investigar pagamentos realizados por meio de inexigibilidade de licitação relacionados a serviços advocatícios envolvendo royalties, o que pode ampliar o alcance das investigações.

O caso ainda será analisado pelo plenário do Tribunal de Contas, que poderá confirmar ou não as conclusões do Ministério Público de Contas. Caso as irregularidades sejam mantidas, a ex-gestora poderá enfrentar sanções administrativas e eventual responsabilização judicial.

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