O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) deflagrou uma operação nesta sexta-feira (19) para investigar irregularidades na folha de pagamento de servidores públicos do Distrito Federal. A operação aponta Ney Ferraz, ex-secretário de Economia do DF, como um dos responsáveis por facilitar a atuação do banco PicPay no esquema.
Segundo o MPDFT, a atuação de Ney Ferraz não é isolada, mas sim parte de um padrão contínuo ligado ao exercício de cargos públicos, especialmente como secretário de Estado da Economia. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) identificou três momentos-chave em que Ferraz teria atuado: quando presidiu o Instituto de Previdência do DF (Iprev), ao assinar o ACT nº 11/2020; como secretário da Seplad, ao firmar o Termo de Adesão ao Consigserv; e, finalmente, como secretário de Economia, quando teria facilitado a atuação do PicPay.
O MPDFT também alega que Ney Ferraz permitiu a propaganda e a captação de clientes do PicPay dentro das repartições públicas do DF. A operação resultou na execução de 50 mandados de busca e apreensão, determinados pelo Conselho Especial do TJDFT, em locais como o Distrito Federal, Curitiba (PR) e São Paulo.
Os alvos da operação incluem o Banco de Brasília (BRB), a BRB Serviços S.A., a Secretaria de Economia do DF, o Iprev-DF e o PicPay, além de atuais e ex-dirigentes das instituições investigadas, como Ney Ferraz Júnior e Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, que se encontra preso.
Em nota, a Secretaria de Economia do DF afirmou que está colaborando com as investigações e apoiando as diligências dos órgãos de controle. Por sua vez, o PicPay negou irregularidades nas operações investigadas e afirmou que os serviços eram contratados diretamente pelos usuários através do aplicativo, sem intermediários. A empresa também se comprometeu a continuar colaborando com as autoridades.
O BRB, por sua vez, informou que não possui contrato com o PicPay no contexto da operação e que não exerce ingerência sobre a contratação e as condições financeiras entre servidores e a instituição de pagamento.
Fonte: Metropoles