A rejeição histórica da indicação de Jorge Messias ao STF foi interpretada por líderes partidários como um indicativo do isolamento do presidente Lula nesta eleição. A análise sugere que uma reorganização de forças está em andamento em torno do senador Flávio Bolsonaro, que está empatado com Lula nas pesquisas de intenção de voto para o segundo turno.
Embora a rejeição não deva retirar votos do petista, ela evidencia o afastamento dos partidos do centrão em relação a Lula, que, nesta eleição, deverá contar com uma aliança restrita a partidos de esquerda. Esse cenário pode prejudicá-lo eleitoralmente a longo prazo.
No contexto petista, a avaliação é que Lula deve intensificar seu discurso antissistema durante a campanha. O presidente pode argumentar que o Senado impediu a nomeação de uma pessoa íntegra para o STF, especialmente em meio ao escândalo do Banco Master.
Aliados de Lula também consideram que a derrota de seu indicado ao Supremo pode impactar sua aliança em pelo menos dois estados. Em Minas Gerais, o presidente gostaria que Rodrigo Pacheco fosse seu candidato a governador, mas há dúvidas sobre o apoio dele, visto que Pacheco não anunciou publicamente sua candidatura.
No Maranhão, a rejeição de Messias é atribuída, em parte, ao ministro do STF Flávio Dino, que governou o estado por oito anos. Alguns petistas defendem que, se confirmada a participação de Dino, o partido deve apoiar Orleans Brandão para o governo maranhense.
Durante seu terceiro mandato, Lula conseguiu atrair partes de legendas como União Brasil, PP e Republicanos, oferecendo ministérios e cargos. No entanto, essa estratégia perdeu apelo, e os partidos, diante da possibilidade de vitória de Flávio, têm mostrado pouca disposição para apoiar Lula.
O presidente tentou incluir o MDB em sua coligação para a disputa presidencial, mas não teve sucesso. A tendência é que, além da esquerda, Lula conte apenas com setores de partidos centristas que possam se beneficiar de sua proximidade.
A rejeição de Messias, embora não retire votos de Lula diretamente, é vista como um sinal das dificuldades que o PT enfrentará para garantir apoio político, já que há menos parlamentares dispostos a se associar ao governo.
A derrota também evidenciou que Lula não conseguiu contar com o apoio do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que trabalhou pela rejeição de Messias, apesar de negar publicamente.
Líderes políticos acreditam que a rejeição não afetará os votos de Lula por dois motivos: o fato ocorreu mais de cinco meses antes da eleição e se restringe a um assunto legislativo, que não reflete a opinião média do eleitorado brasileiro.
Petistas acreditam que o tema não será relevante nas eleições, já que o eleitorado está mais interessado em questões econômicas, como o novo Desenrola.
Além disso, a rejeição de Messias pode permitir que Lula e seu grupo político tentem associar o centrão a escândalos de corrupção, visando Flávio Bolsonaro.
Aliados de Lula observam que ele tende a se fortalecer em situações de crise, citando como exemplo a reação do governo após a derrubada da tentativa de aumento do IOF pelo Congresso.
Um indicativo de que Lula pretende se posicionar como um candidato antissistema foi seu pronunciamento em rede nacional, onde afirmou que 'cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra'.
Integrantes de outros partidos alertam que essa postura pode afastar forças políticas de Lula, dificultando a obtenção de apoio para seus projetos no Congresso.
No entanto, aliados do presidente acreditam que as medidas populares do governo não devem ser afetadas pela recente derrota, apostando que pautas importantes continuarão a ser discutidas.