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Entenda o Processo de Doação de Órgãos no Brasil

A doação de órgãos é crucial para salvar vidas, mas ainda enfrenta mitos e falta de informação. Em 2025, o Brasil registrou um recorde de transplantes, mas 48.880 pessoas aguardam por um órgão.
Foto: Metropoles

A doação de órgãos é um procedimento vital que pode salvar vidas, mas é cercada por incertezas e desinformação. Compreender o funcionamento do processo, quem pode ser doador e os cuidados necessários é essencial para aumentar o número de doações no Brasil.

Em 2025, o Brasil alcançou um marco histórico com 30.986 transplantes realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS), representando um crescimento de aproximadamente 21% em relação ao ano anterior. No entanto, segundo dados do Ministério da Saúde, 48.880 pessoas aguardam por um transplante em 2026.

No Brasil, a maioria das doações ocorre após o diagnóstico de morte encefálica, quando não há mais atividade cerebral. A autorização para a retirada dos órgãos deve ser dada pela família. A distribuição dos órgãos não segue uma fila simples; critérios técnicos como gravidade do paciente, compatibilidade genética e condições clínicas são levados em conta. Cada estado gerencia sua própria lista de espera, e, na ausência de um receptor compatível local, o órgão é enviado para a lista nacional, coordenada pelo Sistema Nacional de Transplantes (SNT).

André Ibrahim David, coordenador do departamento de Transplante de Intestino da Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), ressalta que

o sistema brasileiro é muito confiável, com auditoria e acesso universal. Os resultados são bons, mas ainda precisamos de mais doadores. Ainda se morre esperando um órgão no Brasil.

Qualquer pessoa pode ser doadora, independentemente da idade, desde que a condição do órgão permita. Doenças crônicas ou infecções podem inviabilizar a doação, mas cada caso é analisado individualmente. No Brasil, não é necessário registrar a intenção de doar em documentos oficiais; o mais importante é comunicar essa vontade à família, que é responsável pela autorização final.

A doação em vida é possível em situações específicas, desde que o doador seja maior de idade, saudável e passe por uma avaliação médica rigorosa. Tadeu Thomé, enfermeiro do departamento de Coordenação em Transplantes da ABTO, explica que

uma pessoa viva pode doar um dos rins, parte do fígado, parte do pulmão e medula óssea, desde que isso não comprometa sua saúde.

A lei permite doações entre parentes de até quarto grau ou cônjuges, enquanto doações fora desse vínculo requerem autorização judicial.

Um dos receios comuns é que a retirada de órgãos interfira no velório. No entanto, isso não ocorre.

A retirada de órgãos é feita com rigor técnico e o corpo é reconstituído, sem deformações visíveis e não interfere no velório

, afirma o enfermeiro da ABTO. Atualmente, a recusa familiar gira em torno de 45%, mas quando a família conhece o desejo do doador, a probabilidade de autorização aumenta.

É importante destacar que a equipe médica prioriza sempre a vida do paciente. A possibilidade de doação é considerada apenas após a confirmação rigorosa da morte encefálica.

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