A Polícia Civil do Rio de Janeiro (PCERJ) investiga a compra de um imóvel de luxo no Vidigal, Zona Sul do Rio de Janeiro, que teria sido utilizado para lavagem de dinheiro do Comando Vermelho (CV). Segundo as investigações, familiares de Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP — apontado como um dos principais líderes da facção — negociaram a aquisição da chamada “casa de vidro” com o empresário Sandi Adamiu, herdeiro da Paris Filmes. Leia também Mirelle Pinheiro Veja a mansão do irmão de Oruam investigado por lavar dinheiro do CV Mirelle Pinheiro Quem é a mãe de Oruam, alvo de operação contra o “caixinha” do CV Mirelle Pinheiro Mãe de Oruam é alvo de operação contra lavagem de dinheiro do CV Mirelle Pinheiro Núcleo financeiro do CV liderado por Doca e Gardenal é alvo da polícia Conversas obtidas pela coluna mostram a negociação direta entre Márcia dos Santos Nepomuceno, mãe do rapper Mauro Nepomuceno, o Oruam, e o empresário. Em setembro de 2021, Sandi propõe a venda do imóvel por cerca de R$ 1,4 milhão, com entrada de R$ 600 mil até outubro e o restante parcelado.
Fiquei feliz que a casa vai ficar com vc e vou poder te visitar — disse em mensagem. Márcia responde que precisa de tempo para levantar o valor e pede flexibilidade nas condições. “Bom dia Sandy, eu preciso de um tempo para levantar esse valor. Não tem como eu arrumar assim. Vc falou que iria ser flexível comigo. Não tem como com pressão. Se não conseguir libero a casa. Ali só D. Gilda mesmo para comprar a casa. Ou o tráfico”. Em maio de 2022, em nova mensagem, o empresário faz uma espécie de prestação de contas, indicando que já havia recebido R$ 1,04 milhão, restando R$ 260 mil para quitação. Além disso, a coluna também teve acesso a um comprovante de depósito de R$ 15 mil para a conta de Sandi, realizado em outubro de 2022, sem descrição sobre qual seria o motivo do valor depositado. 6 imagensFechar modal.1 de 6Troca de mensagens entre o empresário Sandi e Márcia dos SantosMaterial cedido ao Metrópoles2 de 6Troca de mensagens entre o empresário Sandi e Márcia dos SantosMaterial cedido ao Metrópoles3 de 6Troca de mensagens entre o empresário Sandi e Márcia dos Santos4 de 6Troca de mensagens entre o empresário Sandi e Márcia dos SantosMaterial cedido ao Metrópoles5 de 6Troca de mensagens entre o empresário Sandi e Márcia dos SantosMaterial cedido ao Metrópoles6 de 6Troca de mensagens entre o empresário Sandi e Márcia dos SantosMaterial cedido ao Metrópoles Imóvel de Luxo Segundo as investigações, a família de Marcinho VP já utilizava o imóvel antes mesmo da conclusão da negociação. Meses antes, o filho de Marcinho, Lucas Santos Nepomuceno, conhecido como Lucca, reclamava com Márcia sobre atrasos em obras no local. Em mensagens, ele menciona o atraso na construção de kitnets. “Minha obra está muito atrasada. Até agora não começou. Ele vai arrumar problema comigo também, vou começar a travar dinheiro agora”, disse à mãe. Os diálogos revelam controle direto dos recursos da facção, incluindo pagamentos, prazos e repasses financeiros. As conversas também registram divisão de valores e cobranças relacionadas a imóveis, o que, segundo a polícia, reforça o uso de propriedades para dar aparência legal ao dinheiro oriundo do tráfico de drogas. Outras mensagens mostram Márcia conversando com o filho Oruam sobre investimentos. Em um dos trechos, o rapper afirma que pretende usar “dinheiro” obtido com o pai para investir em uma “whiskeria” e em uma barraca com venda de açaí. Oruam fala para Márcia que vai pegar “negócio” com o pai, Marcinho VP Operação Contenção A investigação faz parte de uma operação deflagrada nesta quarta-feira (29/4) pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE), que tem como objetivo desarticular o braço financeiro do Comando Vermelho, responsável pela movimentação e ocultação de recursos ilícitos. Os alvos da prisão são Márcia Nepomuceno, mãe do rapper Oruam, e o irmão do artista, Lucas Santos Nepomuceno. O pai do cantor, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, preso no sistema federal, também é investigado. Entre os investigados estão ainda Edgar Alves de Andrade, conhecido como Doca, apontado como liderança no Complexo da Penha, além dos traficantes conhecidos como Macaco Russo e Pezão. Um homem apontado como um dos operadores financeiros da facção foi preso. Trata-se de Carlos Alexandre Martins da Silva. As investigações também identificaram diálogos entre integrantes do grupo e lideranças do Comando Vermelho, incluindo Carlos Costa Neves, o “Gardenal”. A coluna obteve registros de conversas entre Gardenal e o miliciano André Boto, que teria se aliado ao CV. 11 imagensFechar modal.1 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles2 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles3 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles4 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles5 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles6 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles7 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles8 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles9 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles10 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles11 de 11Conversa entre o miliciano Boto e o traficante GardenalMaterial cedido ao Metrópoles A reportagem tentou contato com a Paris Filmes, mas não obteve retorno até a última atualização. O espaço segue aberto para manifestação. Já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Acesse a coluna do Metrópoles.
Fonte: Metropoles