O Brasil alcançou um marco significativo na ciência ao criar o primeiro porco clonado voltado para transplantes de órgãos humanos. Este feito é resultado do trabalho de pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).
O projeto, que teve início em 2019, culminou no nascimento de um porco clonado saudável, pesando cerca de 1,7 kg, em um laboratório localizado em Piracicaba, interior de São Paulo. A gestação durou quatro meses, e o animal representa um avanço crucial para a técnica de xenotransplante, que pode ajudar a diminuir a demanda por transplantes no Sistema Único de Saúde (SUS).
O xenotransplante envolve a transferência de órgãos entre diferentes espécies, mas enfrenta o desafio da rejeição imediata pelo sistema imunológico humano. Para superar essa barreira, os cientistas precisam realizar modificações genéticas nos animais. No caso do projeto brasileiro, foi utilizada a tecnologia de edição genética CRISPR/Cas9 para desativar três genes suínos que causam rejeição e inserir sete genes humanos nas células do porco.
Essas modificações aumentam a compatibilidade dos órgãos suínos com o organismo humano, elevando as chances de sucesso em transplantes futuros. Os porcos são considerados ideais para esse tipo de procedimento devido à semelhança de seus órgãos com os humanos, tanto em tamanho quanto em funcionamento. Além disso, a rápida reprodução e crescimento desses animais facilita a produção em escala, permitindo que, com cerca de sete meses, já estejam prontos para doação de órgãos a adultos.