A ministra das Relações Exteriores do Equador, Gabriela Sommerfeld, convocou o embaixador equatoriano na Colômbia, Arturo Félix, para consultas, em resposta a declarações do presidente colombiano Gustavo Petro. A convocação, ocorrida na quarta-feira (8), reflete o descontentamento do Equador com a intervenção colombiana em assuntos internos.
Na segunda-feira (6), Petro afirmou nas redes sociais que o ex-vice-presidente equatoriano Jorge Glas, atualmente preso por corrupção, é um preso político. Ele pediu ao presidente do Equador, Daniel Noboa, que libertasse Glas ou o entregasse à Colômbia, mencionando a nacionalidade colombiana do ex-vice-presidente.
Em resposta, Noboa declarou que a caracterização de Glas como preso político é um ataque à soberania do Equador e uma violação do princípio de não intervenção.
Há um funcionário corrupto na prisão que deve prestar contas ao Equador — afirmou.
Jorge Glas, que foi vice-presidente durante o governo de Rafael Correa, foi condenado em junho do ano passado por associação ilícita em um caso de corrupção relacionado à empreiteira Odebrecht, além de suborno e uso indevido de fundos públicos.
Sommerfeld comentou que o Equador está tomando medidas para expressar seu forte protesto à Colômbia em relação às declarações de Petro e à interferência nas decisões do país. Ela ressaltou a importância de manter uma relação cordial, mas enfatizou a responsabilidade do Equador em exigir que a Colômbia resolva questões de segurança e controle de fronteiras.
As relações entre Equador e Colômbia têm se deteriorado, especialmente sob a liderança de Noboa, que se alinha com os Estados Unidos, enquanto Petro, um esquerdista, é um crítico do ex-presidente Donald Trump. Questões de segurança de fronteira e combate ao tráfico de drogas têm gerado tensões, incluindo uma disputa comercial em fevereiro, quando ambos os países impuseram tarifas sobre importações.
Recentemente, as tensões aumentaram ainda mais após a descoberta de uma bomba no território colombiano, que foi resultado de um bombardeio militar apoiado pelos Estados Unidos no lado equatoriano da fronteira.