Uma investigação da Polícia Federal revelou um esquema de tráfico de drogas que pode envolver mais de 40 policiais militares e guardas municipais no Pará. A organização criminosa é suspeita de enviar maconha e cocaína para o Amapá e outros estados, além de manter conexões internacionais.
O guarda municipal Pedro de Moraes Santos Garcia é apontado como a principal liderança do grupo e está foragido. Ele movimentou cerca de R$ 40 milhões em contas bancárias nos últimos três anos e se tornou um dos líderes da facção Família do Terror do Amapá (FTA).
As investigações indicam que a droga era transportada do Pará para o Amapá, principalmente por balsas, sendo escondida em sucatas e eletrodomésticos, como airfryers, para evitar a fiscalização. A operação também revelou o uso de familiares e terceiros como 'laranjas' para lavar o dinheiro do tráfico.
Além do envolvimento do guarda municipal, a PF identificou a participação de policiais militares no tráfico e na lavagem de dinheiro. Há indícios de que esses policiais se apropriaram de drogas de outras facções, como o Comando Vermelho, para revendê-las. Durante a operação, dois policiais militares e um civil foram presos.
O grupo também é investigado por ações violentas, incluindo um assalto a uma embarcação em 2021, no qual Pedro foi visto fardado e concedeu uma entrevista sobre o crime. Um homem que denunciou um membro do grupo foi encontrado morto, e a polícia investiga a relação com a organização.
A Operação Abadon, que visa desmantelar essa rede criminosa, cumpre 118 mandados judiciais em seis estados: Amapá, Pará, Roraima, Ceará, Rio Grande do Norte e São Paulo. As investigações começaram em 2023, após a prisão de um membro da facção no Pará, na casa de um policial militar.
Em um dos locais ligados ao líder do esquema, a polícia apreendeu uma BMW e cerca de R$ 30 mil em espécie. A investigação continua para identificar todos os envolvidos e aprofundar o mapeamento da atuação da organização criminosa.
Fonte: Metropoles