Pesquisadores do Mass General Brigham, nos Estados Unidos, publicaram um estudo na revista JAMA que indica que o evolocumabe, um medicamento destinado a reduzir o colesterol LDL, pode reduzir em até 31% o risco de infarto, acidente vascular cerebral (AVC) e morte cardiovascular em pacientes com alto risco.
O estudo, denominado VESALIUS-CV, envolveu milhares de pacientes, muitos dos quais apresentavam diabetes e não tinham histórico de infarto ou AVC. Os participantes foram divididos em dois grupos: um recebeu o evolocumabe regularmente, enquanto o outro recebeu um placebo, mantendo o tratamento padrão para colesterol.
Após aproximadamente cinco anos de acompanhamento, os resultados mostraram uma redução significativa nos eventos cardiovasculares no grupo que recebeu o evolocumabe, traduzindo-se em uma diminuição de até 31% no risco de infarto, AVC ou morte por doenças cardiovasculares em comparação ao grupo placebo.
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte global, com cerca de 380 mil óbitos anuais no Brasil, conforme dados da Sociedade Brasileira de Cardiologia. Entre as principais condições estão infarto, insuficiência cardíaca e AVC, muitas vezes desenvolvendo-se de forma silenciosa.
O evolocumabe atua bloqueando a proteína PCSK9, que limita a capacidade do fígado de remover o colesterol LDL do sangue. Com essa ação, o corpo consegue eliminar mais colesterol, reduzindo a formação de placas nas artérias, que são a principal causa de infarto e AVC.
Os resultados sugerem que uma abordagem mais agressiva na redução do colesterol, especialmente antes do primeiro evento cardíaco, pode ser benéfica. O estudo também destaca a importância da prevenção primária em indivíduos de alto risco, como aqueles com diabetes.
Os autores do estudo ressaltam que a indicação do evolocumabe deve ser feita de forma individualizada, considerando o risco de cada paciente e o custo da terapia, que ainda é superior ao tratamento convencional.