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Lucros do Irã com o bloqueio de Ormuz em meio ao conflito

O Irã tem lucrado com o bloqueio do Estreito de Ormuz, cobrando taxas de até 2 milhões de dólares por passagem segura de navios-tanque, enquanto a guerra se intensifica.
Foto: Estreito de Ormuz

Historicamente, crises têm sido oportunidades para indivíduos e entidades bem conectadas. A atual guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã não é exceção. O conflito se aproxima de um mês, enquanto os EUA buscam negociar uma trégua. Recentemente, surgiram alegações de que varejistas de combustíveis aumentaram os preços logo após os primeiros ataques, e que grandes empresas petrolíferas estão obtendo lucros significativos com o barril de petróleo acima de 100 dólares.

Além disso, as seguradoras marítimas elevaram os preços dos prêmios após o bloqueio do Estreito de Ormuz por Teerã. Relatos indicam que o Irã estaria cobrando até 2 milhões de dólares de navios-tanque para garantir uma 'passagem segura' pelo estreito. A publicação Lloyd’s List informou que pelo menos uma embarcação já teria realizado esse pagamento.

Se confirmada, essa cobrança transformaria um dos pontos estratégicos mais críticos do mundo, responsável por um quinto do petróleo e gás consumidos globalmente, em um pedágio de alto risco. Funcionários iranianos negaram a informação, mas o parlamentar Alaeddin Boroujerdi declarou que as taxas estão sendo cobradas como parte de um 'novo regime soberano' no estreito, justificadas como uma forma de cobrir 'custos de guerra'.

Robert Huebert, especialista em relações internacionais, afirmou que a cobrança de 'pedágio' violaria o direito marítimo internacional, ressaltando que a liberdade de navegação é fundamental para o comércio marítimo. Peter Sand, analista-chefe da Xeneta, minimizou a importância da taxa, afirmando que a segurança da travessia é o fator crucial, e que alguns países podem estar dispostos a pagar para garantir um fluxo energético mínimo.

O Lloyd’s List também destacou que não está claro como as transações estão sendo realizadas, dado que o Irã enfrenta sanções internacionais que dificultam o recebimento de pagamentos em dólares. Países como Índia, Paquistão, Iraque, Malásia e China estão em negociações diretas com autoridades iranianas para organizar a passagem de seus navios.

Recentemente, o Irã comunicou à Organização Marítima Internacional (OMI) que permitirá a passagem de 'embarcações não hostis' mediante coordenação. A OMI, por sua vez, está buscando medidas para facilitar a evacuação segura de navios atualmente retidos na região do Golfo.

Enquanto isso, a produção e exportação de petróleo do Irã continuam inalteradas. O governo dos EUA anunciou uma isenção de sanções de 30 dias para a compra de petróleo iraniano já em petroleiros, visando aliviar as pressões de fornecimento de energia. A alta dos preços também permite que o Irã cobre mais por seu petróleo.

O presidente dos EUA, Donald Trump, tem pressionado aliados europeus a participarem de uma missão de patrulha no Golfo para proteger a navegação comercial. No entanto, muitos países europeus têm hesitado em se envolver imediatamente, embora estejam dispostos a contribuir com uma missão de escolta assim que os combates cessarem. A OMI alertou que escoltas navais não são uma solução sustentável a longo prazo.

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