Um caso de stalking que se arrastou por uma década resultou na prisão de um homem pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) em São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro. A perseguição teve início em 2016, quando a vítima, então com 12 anos, começou a ser ameaçada e chantageada após interações em um grupo de mensagens sobre anime e RPG.
Apesar das tentativas da adolescente de interromper o contato, o homem continuou a ameaçá-la, afirmando possuir imagens íntimas dela e obtendo acesso indevido às suas redes sociais. Em 2025, ele intensificou as intimidações, enviando transferências bancárias de R$0,01 acompanhadas de mensagens insistentes para restabelecer o contato.
O criminoso criou um canal em uma rede social com o nome da vítima e perfis em plataformas adultas, enviando os links para ela. Segundo a polícia, o objetivo das ações não era financeiro, mas sim psicológico, visando humilhar e reafirmar seu poder sobre a vítima.
As investigações revelaram que o stalker utilizou múltiplas identidades digitais, escondendo-se atrás de diversos nomes, e-mails e números de telefone. A vítima reconhecia o mesmo padrão de comportamento, mesmo com as tentativas do homem de se ocultar.
Durante a apuração, foram identificados vários e-mails, números de telefone e contas em redes sociais interligadas, além do uso de plataformas digitais e sites de conteúdo adulto como ferramentas de intimidação. Documentos pessoais e vídeos íntimos antigos da jovem também circularam entre familiares, que se tornaram alvos do criminoso.
A mãe da vítima recebeu mensagens em que o suspeito afirmava ter enviado pessoas para vigiar a família, enquanto uma prima recebeu imagens íntimas da jovem através de um perfil falso. Um mandado de prisão preventiva foi cumprido contra o autor, e seu celular foi apreendido para perícia.
Em depoimento, o homem confessou ter solicitado e recebido imagens da vítima quando ela ainda era menor de idade e admitiu ter mobilizado terceiros para intimidar a família. As investigações continuam em busca de novas vítimas e possíveis envolvidos no crime.
Fonte: Metropoles