A engrenagem criminosa instalada em São Paulo (SP), responsável por movimentar cerca de R$ 100 milhões ao longo de cinco anos em diversos estados do país, contava com uma estrutura hierárquica consolidada para atuar em diferentes frentes de golpes. Com diversos alvos, a investigação aponta a participação do cantor de funk João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original, na empreitada criminosa. Ele, que acumula milhões de seguidores nas redes sociais, foi alvo de mandado de prisão em 24 de fevereiro deste ano, mas não foi localizado e é considerado foragido. Leia também Mirelle Pinheiro RJ: vereador preso por suposta ligação com o Comando Vermelho é solto Mirelle Pinheiro Novo laudo aponta detalhe-chave na morte de Rodrigo Castanheira Mirelle Pinheiro Médico do IML explica laudo da morte de Rodrigo Castanheira Mirelle Pinheiro Laboratório do tráfico é desmontado e droga rara é apreendida no DF Para lucrar, o grupo criminoso, especializado em estelionato digital, aplicava diferentes modalidades de golpe. Entre elas estão: • Golpe da “mão fantasma” • Golpe do INSS • Golpe do falso advogado • Fraudes com cartões clonados, falsas centrais telefônicas e uso de bets e fintechs para clonagem de chaves Pix Entenda Golpe da
mão fantasma Nesse tipo de fraude, os criminosos utilizam técnicas de engenharia social para ganhar a confiança da vítima. Após o contato inicial, eles convencem a pessoa a clicar em um link enviado pelos golpistas. Ao acessar o link, a vítima acaba instalando um programa malicioso no celular. Esse software permite que os estelionatários interceptem chamadas telefônicas e redirecionem o contato para uma falsa central de atendimento. Além disso, o sistema também possibilita o espelhamento da tela do aparelho, permitindo que os criminosos acompanhem remotamente tudo o que a vítima faz no celular. Com acesso às informações do dispositivo e aos dados pessoais, os golpistas conseguem invadir contas e realizar diversas operações financeiras sem o conhecimento da vítima. Golpe do INSS Outra modalidade identificada nas investigações é o chamado “golpe do INSS
, que utiliza estratégia semelhante à do golpe da mão fantasma. Nesse caso, os criminosos entram em contato com as vítimas se passando por funcionários do INSS e utilizam argumentos relacionados a benefícios previdenciários para convencê-las a seguir instruções ou acessar links fraudulentos. De acordo com a investigação, informações sobre essa prática foram encontradas em dados extraídos de um celular apreendido em uma base operacional utilizada pelos suspeitos, após o cumprimento de mandado de busca e apreensão autorizado pela Justiça. Golpe do falso advogado Nesse formato, os criminosos se passam por advogados ou por integrantes de escritórios de advocacia para enganar vítimas que têm processos em andamento na Justiça. Segundo as investigações, os golpistas conseguem acesso a sistemas de tribunais e consultam processos cíveis para identificar dados das partes e dos advogados envolvidos. A partir dessas informações, eles montam perfis falsos e entram em contato com as vítimas. Durante a abordagem, os criminosos informam falsamente que a pessoa venceu o processo ou que há valores a serem liberados pela Justiça. Em seguida, solicitam pagamento antecipado de honorários advocatícios, taxas ou custos processuais para que o suposto valor seja liberado. Além dessas modalidades, ao longo das investigações, a Polícia Civil apreendeu diversos cartões clonados em posse dos investigados. Quem é MC Negão Original João Vitor Ribeiro, conhecido como MC Negão Original, é um dos investigados na operação Fim da Fábula. O artista acumula milhões de ouvintes e seguidores nas redes sociais, onde costuma ostentar luxo e dinheiro. No Instagram, o funkeiro possui duas contas com mais de 2 milhões de seguidores cada. No Spotify, soma mais de 11 milhões de ouvintes mensais e ganhou projeção com hits como “Medley de Igaratá” e “Pirocada Quente”. Seu álbum “A Nata de Tudo – A Ovelha Negra” chegou ao topo do Top Álbuns Debut Global do Spotify. Nascido em São Paulo, o artista afirmou, em entrevista ao Metrópoles, em março de 2025, que sua trajetória foi “irônica”, já que passou pelo crime, pela igreja e pelo funk. MC Negão Original contou que viveu no mundo do crime quando era mais novo por “falta de opção”. “Houve um momento em que precisei escolher entre estudar ou ajudar minha mãe. E, naquela época, a única alternativa viável para mim era essa”, disse o cantor na entrevista. 4 imagensFechar modal.1 de 4Mc Negão Original alvo de operação policial em SPReprodução/ Instagram2 de 4Mc Negão Original tem mais de 4 milhões de seguidores nas redesReprodução/ Instagram3 de 4Ele descreveu a sua trajetória de vida ao MetrópolesReprodução/Instagram4 de 4MC Negão Original é um dos principais nomes do funk paulista atualmenteReprodução/ Instagram A operação No fim de fevereiro, o Departamento de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de São Paulo deflagrou a operação “Fim da Fábula”, que investiga o esquema de golpes em larga escala. O Ministério Público de São Paulo (MPSP) identificou pelo menos 36 imóveis vinculados aos investigados, além de centenas de veículos e embarcações, muitos registrados em nome de laranjas ou empresas fictícias. Também foram determinados bloqueios de bens móveis e imóveis, além de restrição judicial sobre 86 contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas, com limite de até R$ 100 milhões por conta. No dia da operação, foram cumpridos 120 mandados de busca e apreensão e 53 mandados de prisão temporária, além do bloqueio judicial de R$ 100 milhões em bens dos investigados. Cerca de 400 policiais civis e promotores de Justiça participaram da operação, realizada simultaneamente em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal. Já leu todas as notas e reportagens da coluna hoje? Acesse a coluna do Metrópoles.
Fonte: Metropoles