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Estrutura do esquema de estelionato digital em São Paulo

A Polícia Civil de São Paulo investiga uma rede de estelionato digital com divisão de funções, onde 'Rauls', 'Tripeiros' e 'Conteiros' desempenham papéis distintos. A operação 'Fim da Fábula' resultou em prisões e blo...
Foto: raul

As investigações da Polícia Civil de São Paulo revelaram um esquema de estelionato digital em larga escala, caracterizado por uma estrutura coordenada e divisão de papéis entre os criminosos. Cada função dentro da rede fraudulenta é identificada por um nome específico.

Os 'Rauls' são os estelionatários com conhecimento técnico, responsáveis por enganar vítimas através de engenharia social e fraudes em documentos e sistemas eletrônicos. Os 'Tripeiros' têm a função de aliciar pessoas para emprestar suas contas, enquanto os 'Conteiros' são aqueles que realmente disponibilizam suas contas bancárias para movimentação dos valores obtidos ilicitamente.

Os 'Conteiros', também conhecidos como 'Laras' e 'laranjas', recebem recompensas financeiras que podem variar entre um valor fixo por movimentação ou uma porcentagem do total movimentado, geralmente entre 5% e 10%. Os 'Tripeiros' gerenciam esses 'Conteiros', que aceitam emprestar suas contas em troca de compensação financeira.

Apesar da clara divisão de tarefas, a investigação indica que não se trata de uma organização criminosa formal, pois não há hierarquia entre os membros. Os 'Rauls' são os autores intelectuais, enquanto 'Tripeiros' e 'Conteiros' atuam como prestadores de serviços, sem um sistema de comando.

No final de fevereiro, a operação 'Fim da Fábula' foi deflagrada pelo Departamento de Investigações Criminais (Deic) da Polícia Civil de São Paulo, visando desmantelar esse esquema. O Ministério Público identificou 36 imóveis e centenas de veículos vinculados aos investigados, muitos registrados em nome de laranjas.

A operação resultou em 120 mandados de busca e apreensão e 53 mandados de prisão temporária, além do bloqueio judicial de R$ 100 milhões em bens. Aproximadamente 400 policiais civis e promotores de Justiça participaram da ação, que ocorreu simultaneamente em São Paulo, Minas Gerais e no Distrito Federal.

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