O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a necessidade de o Brasil fortalecer sua capacidade de defesa para prevenir possíveis invasões. A declaração ocorreu em Brasília, durante um encontro com o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa.
Lula ressaltou que a defesa nacional deve atuar como um mecanismo de dissuasão, alertando que a falta de preparação pode levar a situações indesejadas.
Nós pensamos em defesa como dissuasão, mas eu não sei se o companheiro Ramaphosa percebe que, se a gente não se preparar na questão de defesa, qualquer dia alguém invade a gente — afirmou.
Apesar do alerta, o presidente brasileiro destacou a estabilidade da América do Sul, que se caracteriza pela ausência de conflitos armados. "Aqui ninguém tem bomba nuclear, aqui ninguém tem bomba atômica, aqui os nossos drones são para agricultura, para fins de tecnologia e não para guerra", disse.
Ramaphosa, por sua vez, também defendeu a busca por soluções pacíficas para os conflitos internacionais, enfatizando a importância do diálogo em tempos de crescente tensão global e o respeito à Carta das Nações Unidas.
A visita oficial de Ramaphosa ao Brasil incluiu uma recepção com honras de Estado no Palácio do Planalto, onde os líderes discutiram o fortalecimento das relações bilaterais e a ampliação do comércio entre os países.
Após o encontro, Brasil e África do Sul assinaram memorandos de cooperação para incentivar o comércio e o turismo. Ramaphosa também participará de um almoço no Ministério das Relações Exteriores e de um fórum empresarial, além de visitas ao Congresso Nacional e ao Supremo Tribunal Federal.
O comércio entre Brasil e África do Sul, que movimentou cerca de 2,3 bilhões de dólares no ano passado, é um dos principais tópicos da agenda bilateral. O Brasil apresenta superávit na relação comercial, exportando carnes, açúcar e veículos, enquanto importa minerais como prata e platina.
Lula observou que o volume de negócios entre os dois países está estagnado há quase duas décadas.
O intercâmbio anual entre Brasil e África do Sul está estagnado há quase 20 anos — afirmou, sem encontrar uma explicação política para essa situação entre dois membros fundadores do BRICS.
Ramaphosa concordou com a análise de Lula, ressaltando que há um grande potencial de crescimento nas relações comerciais.
O comércio entre os dois países precisa ser muito maior do que ele é hoje — declarou.