O universo cinematográfico brasileiro alcançou um novo patamar de reconhecimento internacional, com o aclamado "O Agente Secreto", de Kleber Mendonça Filho, sendo eleito a maior realização artística de 2025. Essa impressionante declaração partiu do renomado escritor e jornalista norte-americano David Remnick, editor da prestigiada revista The New Yorker, em entrevista concedida à Folha de S. Paulo e publicada em 9 de fevereiro de 2026. A visão de Remnick não apenas sublinha a qualidade excepcional da produção, mas também ressalta o crescente impacto da cultura brasileira no cenário global.
A Voz por Trás da Crítica: O Legado de David Remnick
Aos 67 anos, David Remnick ostenta uma carreira de peso, marcada por décadas de contribuições significativas ao jornalismo e à literatura. Ex-repórter do influente Washington Post, ele é laureado com o Prêmio Pulitzer, um dos mais importantes reconhecimentos no campo da escrita. Há quase 30 anos, Remnick está à frente da The New Yorker, uma publicação de referência mundial em reportagem aprofundada, crítica cultural e ficção. Seu mais recente projeto literário, "Sustentar a Nota – Perfis Musicais", que reúne onze ensaios sobre grandes nomes da música, está previsto para ser lançado no Brasil pela Companhia das Letras. Na mesma entrevista em que elogiou o filme brasileiro, Remnick compartilhou que o perfil de Leonard Cohen foi o mais fluido de se escrever para o novo livro, enquanto o de Bob Dylan se mostrou o mais desafiador.
"O Agente Secreto": Uma Obra-Prima Segundo Remnick
Em suas declarações, David Remnick não poupou elogios a "O Agente Secreto", descrevendo-o como
a maior realização artística do ano passado
e, inequivocamente, "o melhor filme". A obra de Kleber Mendonça Filho, que acumula quatro indicações ao Oscar, recebeu ainda um destaque particular por sua sequência inicial. O editor da The New Yorker fez uma analogia marcante, afirmando que a cena do posto de gasolina é a "melhor cena de abertura que já vi desde O Poderoso Chefão". Tais comentários não apenas solidificam a reputação do filme, mas também o elevam a um patamar de clássicos cinematográficos na perspectiva de uma das vozes mais respeitadas da crítica cultural.
O Diálogo Cultural e a Repercussão Global da Obra
Remnick demonstrou uma notável humildade e curiosidade cultural ao abordar "O Agente Secreto". Ele reconhece que
o público brasileiro está captando coisas, referências, pedaços de linguagem, música, que me escapam
, o que o motiva a buscar uma compreensão mais profunda. O jornalista revelou seu empenho em "atualizar-se na história brasileira para absorver o que ainda não conhece bem", evidenciando a riqueza de camadas que a produção oferece e a necessidade de imersão para apreendê-las plenamente. A alta qualidade e a profundidade do filme se refletem também em seu estrondoso sucesso de bilheteria, com mais de dois milhões de espectadores nos cinemas brasileiros, e são agora confirmadas pela repercussão internacional, com a valiosa chancela de figuras como David Remnick. Essa aceitação crítica e popular, tanto em casa quanto no exterior, atesta o calibre e a relevância de "O Agente Secreto" no panorama cinematográfico mundial.
A eleição de "O Agente Secreto" por David Remnick como a principal realização artística de 2025 é um testemunho eloquente do talento e da força da cinematografia brasileira. A combinação de uma narrativa poderosa, direção primorosa de Kleber Mendonça Filho e um impacto cultural que transcende fronteiras, como observado por um dos mais influentes críticos da atualidade, reafirma o lugar do filme como um marco incontestável. Sua trajetória de sucesso, tanto em termos de público quanto de reconhecimento crítico, projeta a obra para o seleto rol de produções que deixam uma marca duradoura na história da sétima arte.