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Saúde de Campina Grande em Greve por Tempo Indeterminado Diante de Salários Atrasados e Ausência de Diálogo

Presidente do Sintab, Giovanni Freire.

A saúde municipal de Campina Grande enfrenta uma paralisação por tempo indeterminado, deflagrada pelos servidores em resposta ao atraso recorrente no pagamento de salários. A categoria, representada pelo Sindicato dos Trabalhadores Públicos Municipais do Agreste e da Borborema (Sintab), denuncia uma situação de profunda insegurança financeira que se arrasta há meses, sem qualquer previsão oficial para a regularização dos vencimentos, enquanto o Legislativo municipal permanece em recesso, distante da crise.

Crise Crônica de Pagamentos Atinge Servidores da Saúde

De acordo com Giovanni Freire, presidente do Sintab, os profissionais da saúde vivenciam um cenário de instabilidade salarial que se intensificou desde o ano passado. A ausência de um calendário oficial de pagamentos impede qualquer planejamento financeiro, mergulhando os trabalhadores em um 'verdadeiro calvário', conforme suas palavras. A situação de janeiro, por exemplo, ilustra bem a problemática: a Prefeitura anunciou o pagamento de efetivos, contratados e comissionados para o dia 30, mas a promessa não foi cumprida, com os salários permanecendo em aberto mesmo em meados de fevereiro. Além disso, o décimo terceiro salário de 2023, que deveria ter sido quitado até 20 de dezembro, só foi liberado após fortes mobilizações e paralisações da categoria, consolidando um padrão de pagamento sob pressão.

Impacto Psicológico e Financeiro Agravado pela Discriminação

A falta de previsibilidade nos pagamentos transcende a mera questão financeira, gerando um grave impacto psicológico nos servidores. A constante incerteza sobre quando o salário será creditado afeta a capacidade de honrar compromissos básicos, levando a um adoecimento profissional. O problema é ainda mais revoltante para os trabalhadores da saúde, pois, segundo o Sintab, essa situação crítica se restringe apenas à Secretaria de Saúde, enquanto as demais secretarias municipais recebem seus vencimentos dentro do mês trabalhado. Essa disparidade aumenta a sensação de desvalorização e injustiça, uma vez que a administração municipal não emite sequer um comunicado oficial informando sobre as datas de regularização.

Mobilização nas Ruas e Greve por Tempo Indeterminado

Diante da inação da gestão municipal, os servidores da saúde decidiram ir às ruas em um ato simbólico e contundente. Uma das iniciativas foi a criação do bloco carnavalesco 'Pague Meu Dinheiro, Prefeito', que percorreu as ruas e esteve em frente à Secretaria de Finanças, buscando pressionar por uma resposta, mas sem sucesso. A greve, por sua vez, segue uma deliberação de assembleia que estabelece a paralisação automática sempre que o prazo legal de pagamento – o quinto dia útil do mês – for descumprido. Embora ciente dos transtornos que a paralisação pode causar à população, o sindicato reitera que a responsabilidade exclusiva pelo prejuízo recai sobre a gestão municipal, que não cumpre com suas obrigações.

Críticas à Gestão Municipal e Ausência do Poder Legislativo

A crise salarial na saúde de Campina Grande expõe falhas tanto na administração municipal quanto na fiscalização. O presidente do Sintab critica veementemente a postura da Prefeitura, que, além de atrasar os pagamentos, não dialoga nem oferece um cronograma aos trabalhadores. Paralelamente, a ausência do Poder Legislativo é outro ponto de grande preocupação. Segundo Freire, ao buscar os vereadores para intervir na situação, a Câmara Municipal se encontra em recesso, deixando os servidores desassistidos por aqueles que, por dever de ofício, deveriam fiscalizar e defender os interesses da população e dos trabalhadores. A greve continua, com novas mobilizações previstas, até que os salários sejam efetivamente pagos e uma solução duradoura seja estabelecida.

Fonte: https://fonte83.com.br

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