Pesquisar

Padre acusado de intolerância contra Preta Gil cumpre acordo com MPF em ato inter-religioso

Padre de Areial foi acusado de intolerância religiosa: 'por que orixás não ressucitaram Preta ...

O padre Danilo César, anteriormente denunciado por proferir falas de intolerância religiosa direcionadas à cantora Preta Gil, participou nesta sexta-feira (6) de um ato inter-religioso na sede do Ministério Público Federal (MPF) na Paraíba. Esta participação é um requisito central de um acordo firmado com a instituição, que permite ao religioso evitar uma ação penal criminal pelas declarações feitas durante uma homilia em Areial, no Agreste paraibano.

Acordo Abrangente para Não Persecução Penal

O pacto estabelecido entre o padre Danilo César e o MPF configura-se como um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP), instrumento legal que visa resolver a questão fora da esfera judicial criminal. No documento acessado pelo Jornal da Paraíba, o padre assumiu formalmente a confissão de sua conduta de intolerância religiosa. Uma cláusula crucial do acordo prevê que, em caso de descumprimento das condições, essa confissão poderá ser utilizada como 'valor de prova' em uma eventual reabertura da ação penal contra ele, conferindo seriedade e rigor ao compromisso assumido.

Medidas Educacionais e Reparadoras Impostas

Além da presença no ato inter-religioso, o acordo estabelece uma série de obrigações que o padre deverá cumprir. Entre elas, estão a realização de 60 horas de cursos específicos sobre intolerância religiosa, com a apresentação de certificados válidos, e a elaboração de resenhas críticas sobre livros que abordam a temática do combate à intolerância. Adicionalmente, foi imposta uma prestação pecuniária, uma espécie de multa compensatória, no valor de R$ 4.863,00. Este montante será destinado a uma associação dedicada ao apoio de comunidades afrodescendentes, reforçando o caráter reparador e conscientizador das medidas.

As Declarações Polêmicas na Homilia

As falas que motivaram a denúncia ocorreram em 27 de julho, durante uma missa transmitida ao vivo pelo canal do YouTube da paróquia de São José, em Areial. Na ocasião, o padre Danilo César fez comentários considerados ofensivos e discriminatórios, citando, erroneamente, a morte da cantora Preta Gil – que, na verdade, enfrentava um câncer colorretal – e associando sua fé em religiões de matriz afro-indígena a um suposto desamparo divino. A repercussão negativa levou à rápida remoção do vídeo da plataforma, mas não antes que trechos como 'por que orixás não ressuscitaram Preta Gil? Já enterraram?' se espalhassem e gerassem indignação generalizada.

A Mobilização da Família Gil e o Impacto das Falas

A gravidade das declarações não passou despercebida pela família da cantora. Gilberto Gil, pai de Preta Gil, chegou a notificar extrajudicialmente a Diocese de Campina Grande, responsável pela paróquia de Areial, e o próprio padre Danilo César, exigindo uma retratação pública. Bela Gil, irmã da cantora, também se manifestou publicamente à época, repudiando as palavras do padre. A expectativa era de que familiares de Preta Gil estivessem presentes no ato inter-religioso no MPF, reforçando o clamor por respeito e o combate à intolerância religiosa.

Um Passo na Luta Contra a Intolerância Religiosa

A resolução deste caso, através de um acordo que impõe sanções educativas e financeiras, além da confissão pública do erro, representa um marco importante na aplicação da lei contra a intolerância religiosa. A iniciativa do Ministério Público Federal e a resposta do padre, ainda que sob condições legais, sinalizam a crescente conscientização sobre a necessidade de respeito à diversidade de crenças e a responsabilização por discursos que incitam o ódio ou a discriminação. O episódio destaca a importância da vigilância social e da atuação de órgãos como o MPF para garantir a liberdade religiosa e a dignidade de todos os cidadãos.

Fonte: https://jornaldaparaiba.com.br

PUBLICIDADE

Mais recentes

PUBLICIDADE

Rolar para cima