Após afirmar que
uma civilização inteira morrerá nesta noite
e ameaçar obliterar a infraestrutura civil do Irã, Donald Trump recuou e aceitou uma proposta do Paquistão para um cessar-fogo de duas semanas na guerra iniciada em 28 de fevereiro pelos Estados Unidos e Israel.
Com essa decisão, o prazo para que o Irã reabra o estreito de Hormuz, vital para o trânsito de 20% do petróleo e gás natural liquefeito do mundo, foi adiado pela quinta vez. O anúncio ocorreu pouco antes do término do prazo que Trump havia estabelecido para que Teerã aceitasse a proposta, sob a ameaça de destruir pontes e usinas de energia do país.
O regime iraniano havia rejeitado a proposta inicial, que sugeria uma trégua, mas as negociações continuaram. O Paquistão, responsável pela mediação, solicitou mais duas semanas a Trump, e seu premiê, Shehbaz Sharif, também sugeriu um cessar-fogo e a reabertura de Hormuz durante esse período.
A decisão de Trump reflete sua abordagem negocial, que frequentemente envolve elevar ameaças e fazer imposições ao adversário. No fim de semana, ele fez uma postagem polêmica, utilizando linguagem ofensiva em relação aos iranianos, e na segunda-feira, reiterou sua capacidade de destruir o Irã em uma noite.
Apesar das ameaças, o Irã não cedeu à pressão e insistiu que não negociaria sob bombardeios. As conversas pareciam avançar, mas os EUA intensificaram as ações militares, atacando alvos na ilha de Kharg, um ponto estratégico para a exportação de petróleo iraniano.
Trump deslocou 5.000 fuzileiros navais para a região, embora isso não garanta uma invasão terrestre. Além disso, os EUA não possuem recursos suficientes para assegurar o trânsito de petroleiros pelo estreito de Hormuz, e aliados do Irã, como Rússia e China, vetaram uma resolução no Conselho de Segurança da ONU que poderia facilitar uma operação legal.
Israel também intensificou suas ações, atacando ferrovias civis no Irã e uma petroquímica em Shiraz, resultando em mortes. Em resposta, o Irã retaliou contra alvos na Arábia Saudita e manteve a tensão no mercado de petróleo elevada.
Os ataques iranianos a um petroleiro próximo a Omã e a edifícios no Kuwait e nos Emirados Árabes Unidos, que resultaram em mortes, continuaram, assim como os bombardeios a Israel, com drones e mísseis disparados de bases no Iémen e no Líbano.