A reabilitação para dependência química é frequentemente discutida em contextos de celebridades, mas muitos ainda têm dúvidas sobre como funciona o tratamento em clínicas especializadas. A dependência química é considerada um transtorno que afeta o cérebro e o comportamento, exigindo um tratamento que abrange diferentes etapas e acompanhamento contínuo.
O psiquiatra André Botelho, do Hospital Sírio-Libanês, explica que o termo mais utilizado atualmente é transtorno por uso de substâncias. Este transtorno se caracteriza pela perda de controle sobre o consumo, com uso compulsivo que é difícil de interromper, mesmo diante de prejuízos na saúde, trabalho ou relações pessoais.
Botelho enfatiza que a dependência não deve ser vista como uma questão de falta de força de vontade, mas sim como uma condição clínica relacionada a alterações em circuitos cerebrais que envolvem recompensa, estresse e autocontrole. Ele ressalta que reconhecer a dependência como uma doença não diminui a responsabilidade do paciente, mas ajuda a entender que o tratamento deve ser técnico, contínuo e livre de estigmas.
A internação não é necessária para todos os pacientes; muitos podem ser tratados de forma ambulatorial. A internação é recomendada em casos mais graves, quando há riscos à saúde ou segurança do paciente, como em situações de abstinência perigosa, intoxicações repetidas ou transtornos psiquiátricos associados. Botelho afirma que a internação não implica um tratamento superior, mas sim um cuidado adequado para a situação do paciente.